Governo federal amplia programa de atenção domiciliar para cuidar das pessoas idosas
A assistência em saúde voltada à terceira idade no Brasil ganhará um reforço estrutural significativo com a criação do Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). Lançada oficialmente em uma cerimônia na cidade do Rio de Janeiro, a iniciativa do governo federal prevê a destinação de um orçamento total de R$ 500 milhões para organizar e enviar grupos de profissionais especializados até as residências de cidadãos idosos que sofrem com restrições de mobilidade e que não têm condições físicas de se deslocarem até um posto médico tradicional.
As gestões das prefeituras de todo o país já podem pleitear o credenciamento de novos grupos de atendimento ou solicitar a expansão das estruturas que já operam no âmbito da atenção primária. Esse suporte do ministério permite a elevação da carga horária de prestação de serviços, além da contratação de médicos especialistas e outros profissionais. O interesse das administrações municipais movimentou, até o presente momento, um total de 2.733 cidades interessadas, gerando um pedido formal para a implantação de 3.677 equipes de assistência.
O cronograma orçamentário delineado para a execução do programa estabelece a divisão dos repasses públicos em parcelas plurianuais, sendo reservados R$ 163,2 milhões para o ano de 2026 e outros R$ 329,3 milhões ao longo de 2027.
Novas diretrizes financeiras elevam repasses mensais para as equipes municipais
Em termos de custeio financeiro, o programa federal vai possibilitar um acréscimo de até R$ 10,5 mil nos subsídios mensais enviados para cada equipe ativa. Com esse incremento, o valor total do repasse governamental fixado por mês poderá atingir o teto de R$ 57,5 mil, montante que varia em conformidade com as categorias específicas de composição de pessoal adotadas, classificadas entre as modalidades Complementar, Ampliada ou Estratégica.
As frentes de trabalho multiprofissionais são constituídas por especialistas de diversas ramificações do cuidado à saúde, atuando de maneira coordenada e em cooperação mútua com os núcleos locais da Estratégia Saúde da Família. Os beneficiários do programa receberão assistência direta e personalizada de um grupo técnico com olhar atento para as limitações funcionais de quem não consegue praticar exercícios de reabilitação. Cada município detém autonomia para formatar a combinação ideal de profissionais a partir de um leque de opções estruturado pelo Ministério da Saúde, englobando carreiras como:
Médicos;
Fisioterapeutas;
Enfermeiros;
Terapeutas ocupacionais;
Assistentes sociais.
Integração de programas no SUS busca responder ao cenário de envelhecimento da população
Os indicadores epidemiológicos revelados pelo governo apontam que a expectativa de vida da população brasileira atingiu a marca de 76,6 anos. Diante dessa realidade demográfica, constata-se que 80% das pessoas inseridas na faixa idosa dependem unicamente das estruturas do Sistema Único de Saúde (SUS) para obter tratamentos médicos e preventivos. Além disso, os levantamentos estatísticos estimam a existência de cerca de 3 milhões de idosos em condição de acamados no território nacional, necessitando de acompanhamento regular por parte da rede básica de saúde.
A nova política de atenção domiciliar foi desenhada para atuar em sinergia com outras estratégias governamentais de reorganização do SUS, visando a melhoria da qualidade de vida na velhice. Entre as redes complementares de suporte estão o Farmácia Popular, que subsidia tratamentos contínuos para diabetes e hipertensão, além de disponibilizar fraldas geriátricas, e o programa Mais Especialistas, focado em diminuir o tempo de espera dos usuários para a realização de exames complexos e procedimentos cirúrgicos.
Para monitorar com precisão as condições clínicas individuais de cada cidadão, o ministério adota a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, documento emitido em formato físico impresso e também por vias eletrônicas, acessível por meio da plataforma digital Meu SUS Digital. Adicionalmente, a pasta federal elabora e distribui guias informativos e materiais educacionais voltados para parentes, profissionais do setor e cuidadores de idosos, focando em temas cruciais como a prevenção de acidentes e quedas domésticas e no desenvolvimento de canais de comunicação adequados para lidar com quadros de demência.
Cerimônia relembra legado pioneiro de médica intensivista na Ilha do Governador
O evento oficial de lançamento do programa nacional também reservou espaço para uma homenagem póstuma à médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, cujos projetos pioneiros na saúde pública serviram de base teórica e inspiração para a estruturação do Padi Brasil.
Durante a década de 1990, no exercício de suas funções no Hospital Municipal Paulino Werneck, situado na Ilha do Governador, a profissional constatou um padrão alarmante de reinternações frequentes: muitos idosos recebiam alta médica, mas retornavam pouco tempo depois à unidade hospitalar por sofrerem com a ausência de um acompanhamento preventivo adequado em suas casas. Para sanar a lacuna, Guilhermina idealizou e liderou a implantação do Programa de Atenção Domiciliar (PAD) na instituição, levando atendimento médico, suporte psicológico, sessões de fisioterapia, cuidados de enfermagem e orientações práticas de manejo diretamente para o ambiente familiar das residências. Com informações da Agência Brasil


