Brasil atinge a menor taxa de analfabetismo de sua história com recuo para 4,9%
O Brasil alcançou uma marca histórica em sua trajetória educacional ao registrar o menor índice de analfabetismo desde o início do acompanhamento estatístico unificado, estruturado em 2016. Ao longo do ano de 2025, o contingente de cidadãos com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever totalizou 8,4 milhões de pessoas, o que equivale a um percentual de 4,9% da população.
Quando comparado ao levantamento do ano anterior, o indicador nacional apresentou um recuo de 0,4 ponto percentual, o que representa a saída de aproximadamente 592 mil cidadãos da condição de analfabetismo. Na análise retrospectiva de nove anos, o decréscimo foi de 1,8 ponto percentual, já que a taxa era de 6,7% no ano de abertura da série histórica. Geograficamente, a defasagem educacional exibe uma forte concentração regional: o Nordeste abriga 4,8 milhões de pessoas nessa situação, retendo 57,4% do total de analfabetos do país. Os dados consolidados fazem parte do módulo temático de Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apresentada oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Faixa etária mais idosa concentra a maior parcela dos não alfabetizados
Os recortes demográficos da pesquisa revelam que o analfabetismo no território nacional atinge majoritariamente a população na terceira idade. Dos indivíduos sem instrução básica de leitura e escrita, 4,8 milhões possuem 60 anos ou mais de idade, representando 14,9% de todo esse estrato populacional e respondendo por 58% do bolo geral de analfabetos do país. Dentro desse grupo idoso, as disparidades étnico-raciais são agudas: o índice de analfabetismo entre pretos ou pardos chega a 20,6%, um patamar quase três vezes maior que o mensurado entre os cidadãos brancos, que ficou em 7,3%.
A inclusão de faixas geracionais mais novas dilui gradualmente a média do indicador: a taxa cai para 8,3% ao se observar o grupo de 40 anos ou mais; passa para 5,8% na faixa de 25 anos ou mais; e atinge os 4,9% na base a partir de 15 anos. No recorte específico de 15 a 59 anos, o índice constatado foi de apenas 2,6%, o que evidencia que as gerações mais jovens desfrutaram de maior facilidade de acesso ao ambiente escolar e foram alfabetizadas no período correto da infância. Especialistas do IBGE ressaltam que essa distância de 11,3 pontos percentuais entre os degraus de idade reforça a urgência de manutenção de políticas para reter crianças na escola e de ações focadas em Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Avanço educacional feminino e persistência do abismo de cor ou raça
O estudo também aponta uma quebra histórica de paradigma na análise por sexos. Na totalidade da população de 15 anos ou mais, as mulheres registraram uma taxa de analfabetismo de 4,6%, enquanto os homens fecharam o ano em 5,2%, com ambos apresentando um recuo simétrico de 0,4 ponto percentual ante o ano anterior. O dado mais expressivo ocorre no segmento acima dos 60 anos: a taxa feminina, que historicamente superava a masculina por herança cultural, passou a ser menor em 2025, atingindo 13,7% contra 14,1% dos homens. O órgão estatístico atribui a inversão aos progressos de escolarização das mulheres em múltiplas gerações, revertendo desigualdades pretéritas. Além disso, 59,4% das mulheres acima de 25 anos concluíram a educação básica obrigatória, frente a 55,2% do público masculino.
No campo da igualdade racial, o cenário permanece estagnado e desigual. Entre a população branca, 64,9% finalizaram o ciclo básico obrigatório de estudos, ao passo que apenas 51,3% da população preta ou parda atingiram o mesmo nível educacional, consolidando uma distância de 13,6 pontos percentuais entre os grupos. Embora essa desvantagem tenha oscilado pouco frente ao ano anterior (quando estava em 13,3 pontos), ela se mostra 2,8 pontos percentuais menor do que o abismo verificado no ano de 2016, época em que a diferença de escolaridade alcançava 16,4 pontos percentuais.
Opção familiar e falta de vagas moldam a realidade das creches
A pesquisa do IBGE também mapeou as razões da não inserção de crianças de tenra idade em estabelecimentos de ensino infantil. Para as famílias com bebês de 0 a 1 ano de idade, 64,1% dos responsáveis justificaram que a ausência na creche decorria de uma escolha pessoal de criação dos pais. No segmento de crianças de 2 a 3 anos de idade, esse mesmo motivo foi listado por 57,1% dos entrevistados, mantendo-se como a resposta predominante em todas as macrorregiões brasileiras.
Por outro lado, o déficit estrutural e a barreira burocrática aparecem como o segundo maior entrave na primeira infância. A falta de unidades escolares nas proximidades da residência, a escassez de vagas abertas ou a recusa de matrículas por critérios de idade foram os fatores preponderantes para 28,1% dos responsáveis por crianças de 0 a 1 ano e para 33,4% das famílias com crianças na faixa de 2 a 3 anos de idade.
Mercado de trabalho lidera os motivos para a evasão escolar de jovens
O levantamento identificou que o país possui um contingente de 7,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos que não finalizaram o ensino médio, seja por abandono precoce dos estudos ou por nunca terem ingressado na escola. Dentro desse grupo de evadidos, a maioria é composta por homens (59,8%) e por pessoas de cor preta ou parda (72,8%), enquanto brancos somam 26,4% e mulheres equivalem a 40,2%.
A necessidade de buscar uma fonte de renda e trabalhar foi apontada por 43% dos jovens como a principal causa para a interrupção da trajetória escolar. O desinteresse pelos estudos figurou em segundo lugar, abrangendo 25,6% das respostas e confirmando uma tendência de crescimento observada desde o ano anterior. Esse avanço de 2 pontos percentuais em relação a 2023 é visto pelo instituto como um possível indicativo de descompasso entre as aspirações da juventude e os currículos escolares ofertados. Entre as demais justificativas para a evasão, aparecem a gestação (9,9%), complicações crônicas de saúde (4,4%), dedicação a afazeres do lar ou cuidado de parentes (3,9%) e barreiras geográficas ou falta de vagas em turnos desejados (2,8%).
Por fim, o IBGE revelou um dado positivo sobre a ocupação geral de jovens. De uma população total de 46,6 milhões de cidadãos na faixa dos 15 aos 29 anos, o percentual daqueles que não trabalhavam, não frequentavam o ensino regular e nem realizavam cursos técnicos de qualificação profissional ficou em 17,5%. O índice demonstra um avanço expressivo de melhora em comparação com o cenário pré-pandemia de 2019, período no qual a fatia de jovens sem atividade de trabalho ou estudo era de 22,4%. Com informações da Agência Brasil

