GRNEWS TV: Biscoito de Pará de Minas carrega séculos de tradição e receitas familiares transformaram sabor em patrimônio cultural

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Isabel Faria, secretária municipal de Cultura e Comunicação Institucional e Alaércio Delfino, diretor do Museu Histórico, explicaram que muito antes de ganhar destaque em festivais e eventos gastronômicos, o tradicional biscoito de Pará de Minas já fazia parte da rotina das famílias da cidade. O diretor do Museu Histórico, Alaércio Delfino, explicou que a origem dessa tradição está ligada às influências da colonização portuguesa e à adaptação dos ingredientes encontrados no Brasil.

Segundo o historiador, os primeiros biscoitos produzidos em Minas Gerais surgiram a partir de receitas europeias elaboradas com farinha de trigo. Com a dificuldade de acesso ao ingrediente, os moradores passaram a utilizar derivados da mandioca, dando origem às receitas feitas com polvilho doce e polvilho azedo, que atravessaram gerações.

Tradição passada de geração em geração
Embora não exista uma data exata que marque o início da produção de biscoitos em Pará de Minas, a prática acompanha a história do município há séculos. Alaércio destacou que grande parte desse conhecimento foi preservada pela tradição oral e pelo costume familiar de reunir parentes para preparar receitas caseiras.

“Cada família tem o seu jeito de fazer, mas o costume de assar biscoitos e compartilhar momentos continua vivo até hoje”, ressaltou.

Um dos registros históricos mais antigos relacionados aos biscoitos na cidade está ligado ao artista circense Benjamim de Oliveira. Conhecido na infância pelo apelido de “Moleque Beijo”, ele ajudava a vender um tradicional biscoito doce chamado beijo, demonstrando que essa tradição já estava presente em Pará de Minas no século XIX.

Memórias que atravessam o tempo
Para os organizadores do Festival do Biscoito e do Queijo, o sucesso do evento está diretamente relacionado à forte carga afetiva que os biscoitos despertam. O sabor remete às lembranças da casa das avós, das mães e dos encontros familiares ao redor do fogão.

Durante a primeira edição do festival, muitos visitantes encontraram receitas produzidas da mesma forma que antigamente, algumas assadas em fogão a lenha e servidas como eram preparadas décadas atrás.

“Os visitantes compravam, tomavam café e ainda levavam para familiares e amigos”, relembrou Isabel Faria.

Tema reforça identidade cultural
Toda essa relação entre gastronomia e memória inspirou o tema da segunda edição do festival: “Quintal de Vó”. A proposta é recriar o ambiente que marcou a infância de muitos moradores, valorizando receitas, histórias e tradições que ajudaram a construir a identidade cultural de Pará de Minas.

Além de celebrar sabores típicos, o evento busca preservar um patrimônio cultural transmitido principalmente pelas mulheres, responsáveis por manter viva a tradição das biscoiteiras ao longo das gerações.

Mais do que um alimento, o biscoito tornou-se um símbolo da história local, reunindo cultura, afeto e pertencimento em cada receita que continua sendo compartilhada entre famílias paraminenses.

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