Tradição do Requeijão Moreno Artesanal ganha força com debate sobre normas em Minas Gerais
O processo de normatização do Requeijão Moreno Artesanal deu um passo decisivo no território mineiro. Com o objetivo de colher percepções da população e dos envolvidos na cadeia produtiva, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) disponibilizou para análise as diretrizes que vão compor o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) dessa iguaria. Os cidadãos e profissionais do setor têm até o dia 25 de junho para encaminhar sugestões e participar da construção da futura portaria oficial.
Segurança jurídica e expansão de mercado para os produtores
A criação desse conjunto de regras visa padronizar as exigências de fabricação, listando as matérias-primas obrigatórias, os componentes autorizados e os índices de qualidade exigidos. Mais do que uma formalidade técnica, o regulamento funciona como o passaporte para que os fabricantes consigam os selos de inspeção necessários. Essa certificação é o elemento indispensável para retirar o alimento da informalidade e permitir que ele seja vendido legalmente em qualquer parte do Brasil.
Respeito às heranças culturais e especificidades de cada região
A construção da norma busca equilibrar as exigências de saúde pública com a manutenção dos saberes repassados por gerações de famílias rurais. De acordo com a equipe de fiscalização agropecuária da Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Animal do IMA, o regulamento certifica os atributos mínimos de identidade biológica e física do alimento, sem anular o toque particular de cada localidade. Desse modo, o documento assegura o cumprimento de metas sanitárias sem sufocar as características que diferenciam o produto de uma região para outra.
Recentemente, a consolidação de regras específicas para o Vale do Mucuri serviu como demonstração prática dos benefícios econômicos gerados pela certificação, elevando o valor comercial do item. A proposta atual visa expandir esses mesmos horizontes comerciais para os fabricantes situados nas outras divisões geográficas do estado. O IMA salienta que as novas regras gerais não vão revogar normas locais já consolidadas, permitindo que microrregiões mantenham seus próprios manuais de identidade desde que amparados por pesquisas científicas.
União entre ciência e governança para a valorização rural
O texto que está em debate não foi elaborado de maneira isolada. Ele resulta de um esforço integrado entre os braços da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o que engloba a atuação conjunta do IMA, da Emater-MG e da Epamig. Essa base administrativa ganhou o reforço de investigações científicas conduzidas por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), garantindo solidez técnica ao projeto.
A inserção da sociedade na discussão é tida como peça fundamental pelos organizadores para aproximar as leis da rotina enfrentada no campo. O canal para o envio de observações e modificações na minuta da portaria ficará aberto na internet até as 11h59 do prazo final estipulado. Os interessados em colaborar devem preencher o formulário digital disponibilizado pela instituição agropecuária. Com informações da Agência Minas


