Subsídio para conter alta da gasolina deve reduzir preço nas bombas e custará bilhões à União
O Palácio do Planalto definiu a estratégia financeira para tentar conter os reflexos econômicos do cenário de guerra no Irã sobre o bolso dos motoristas do país. A equipe econômica estipulou em 44 centavos por litro o valor do auxílio público destinado a frear a escalada da gasolina no mercado varejista. A informação foi detalhada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante pronunciamento à imprensa.
A quantia estabelecida representa aproximadamente a metade da carga tributária de ordem federal que incide sobre o combustível. De acordo com o Planejamento, a fixação do índice seguiu critérios de prudência contábil, visando atenuar a oscilação internacional sem comprometer de forma drástica as metas financeiras da administração pública. O plano completo de socorro tarifário passará pela análise final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Verba para conter oscilação internacional exige contingenciamento severo nas contas públicas
A criação do mecanismo de auxílio funcionará como uma espécie de amortecedor financeiro temporário diretamente nos postos de combustíveis. Inicialmente, cogitou-se a concessão de um abatimento integral que zeraria os tributos federais, alcançando 89 centavos por litro, mas a necessidade de cautela fiscal levou o governo a recuar para um patamar intermediário.
A introdução dessa subvenção acarretará um desembolso estimado em 1,2 bilhão de reais por mês. Como o planejamento inicial prevê uma vigência de 60 dias, o impacto global nas despesas do Tesouro atingirá a marca de 2,4 bilhões de reais.
Esses custos extraordinários motivaram a necessidade de um bloqueio complementar de 22,1 bilhões de reais nas dotações do Orçamento Federal de 2026. Os recursos do auxílio ainda não foram formalmente computados nos relatórios orçamentários oficiais por dependerem da assinatura dos decretos de regulamentação que estão sob a análise do Ministério da Fazenda.
Calendário prevê transição para o óleo diesel e reavaliação de benefícios
O pacote de apoio aos combustíveis possui desenhos e prazos diferenciados a depender do produto. No segmento do óleo diesel, o governo prevê o início de um subsídio específico na casa dos 35 centavos a partir de junho, período que marcará o encerramento da política de isenção total de impostos federais para esse derivado.
A equipe econômica pretende utilizar a mesma estrutura jurídica adotada em março, quando as primeiras medidas de contenção para o diesel foram criadas para frear as pressões do mercado internacional. A continuidade ou o encerramento programado dessas linhas de crédito para o óleo diesel permanecem sob avaliação permanente das pastas governamentais.
Instabilidade no Oriente Médio força o adiamento de leilões bilionários no pré-sal
O agravamento dos confrontos na região do Oriente Médio desestabilizou o preço do barril de petróleo cru nos mercados globais, encarecendo a matéria-prima e afetando os países que dependem da importação de derivados, como é o caso do Brasil. Diante da volatilidade extrema, o governo federal optou por cancelar as rodadas de negociações e leilões de áreas exploratórias do pré-sal previstas para este ano.
A expectativa da equipe econômica era reforçar o caixa com a arrecadação de até 31 bilhões de reais com as concessões dessas áreas não contratadas em 2026. No entendimento do Ministério do Planejamento, o momento de guerra desaconselha a oferta de blocos estratégicos de exploração mineral.
Para compensar o desfalque dessa receita prevista, a União contará com o incremento natural na arrecadação de royalties e com a comercialização direta do petróleo que cabe ao Estado por meio das operações da Pré-Sal Petróleo S.A., beneficiada pela valorização do produto no exterior. Com informações da Agência Brasil

