Preços mais baixos nos supermercados estimulam aumento do consumo de café no Brasil

O principal produto das manhãs dos brasileiros voltou a ganhar fôlego no mercado doméstico. Impulsionado por um recuo nos valores cobrados nos supermercados, o volume de café consumido em território nacional registrou uma expansão de 2,44% ao longo do primeiro quadrimestre deste ano, quando comparado ao mesmo intervalo de tempo do ano anterior. Esse avanço representa a absorção de 4,9 milhões de sacas pesando 60 quilos cada uma.

De acordo com indicadores tabulados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a virada de comportamento do mercado ficou mais evidente a partir do terceiro mês do ano, período em que a demanda deu um salto de 10,25% em relação ao mesmo mês do ciclo passado. No mês seguinte, o ritmo de compras seguiu em patamar positivo, embora de forma mais moderada, exibindo uma elevação de aproximadamente 3,66%. O cenário marca o início de uma recuperação após o recuo de 2,31% observado entre o final de 2024 e quase todo o ano de 2025, época em que a inflação do produto afastou os compradores.

Retração nos custos e comportamento das categorias
A inversão da tendência de queda é fruto direto de uma maior abundância de matéria-prima no início deste ano, o que aliviou a pressão sobre as tabelas de preços após os picos registrados na virada do ano anterior. O tipo tradicional, que é o mais comercializado no país, apresentou uma deflação expressiva de 15,51% no varejo ao fechar o mês de abril, com o preço médio do quilo fixado na casa dos R$ 55,34.

Esse movimento de alívio no bolso, contudo, não foi uniforme em todo o setor. Dentre as oito segmentações de produtos acompanhadas pela entidade industrial, três caminharam na contramão da tendência de queda e registraram encarecimento. Os tipos descafeinados lideraram as altas com um acréscimo de 21%, seguidos de perto pelas versões de cafés especiais, que subiram 16,9%, enquanto a opção do produto solúvel teve uma oscilação positiva sutil de 0,55%.

Perspectiva de colheita histórica projeta novas reduções
O horizonte para o restante do ano se mostra ainda mais promissor para os apreciadores da bebida. A expectativa institucional do setor aponta para a consolidação de uma colheita sem precedentes na história do país. Caso o prognóstico se confirme, a tendência natural é que a estabilização das lavouras diminua a oscilação do mercado, permitindo que as indústrias repassem essa economia de custos diretamente para as redes de varejo, estimulando uma recuperação ainda mais robusta da demanda até o encerramento do ano.

Esse otimismo ganhou respaldo técnico com a divulgação de dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O órgão projeta que o volume total colhido na atual temporada atinja 66,7 milhões de sacas, montante que representa uma expansão expressiva de 18% sobre o desempenho da safra anterior. Esse resultado isolado colocaria o ciclo atual no topo da série histórica de monitoramento, superando em 5,74% o recorde anterior expressivo que havia sido estabelecido no ano de 2020. Com informações da Agência Brasil

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