Estudos científicos buscam reconhecimento internacional para a produção de vinhos no Sul de Minas Gerais
A produção de vinhos de inverno na região meridional de Minas Gerais caminha para alcançar um novo patamar de valorização mercadológica. Uma força-tarefa que reúne cientistas e produtores locais deu início às pesquisas para pleitear o selo de Denominação de Origem junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A iniciativa tem como objetivo central comprovar que a bebida fabricada nessa localidade possui uma identidade sensorial e química singular, moldada pelas características geográficas, geológicas e climáticas exclusivas da região.
A proposta foi estruturada pelo Grupo Vitácea Brasil e obteve a aprovação financeira por meio de um edital de fomento à inovação tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O desenvolvimento das ações conta com a subcoordenação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), instituição que disponibiliza suporte metodológico essencial para validar os limites territoriais e as propriedades das uvas colhidas.
Trabalho de campo e cooperação entre instituições
O processo de investigação possui um cronograma de execução estabelecido em três anos, tendo coletado as suas primeiras amostras produtivas durante a safra do ano passado. Para alcançar os critérios rigorosos de comprovação exigidos pelas autoridades regulatórias, o projeto promove uma cooperação científica de peso. A Epamig assume a responsabilidade pelas etapas de microvinificações e exames laboratoriais básicos.
Paralelamente, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho executa os testes sensoriais e o mapeamento dos compostos fenólicos da bebida. A caracterização aprofundada das propriedades do solo e o monitoramento das variáveis climáticas locais ficam sob a responsabilidade dos especialistas da Universidade Federal de Lavras (Ufla) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).
Evolução na classificação e delimitação espacial
A busca atual representa um avanço no histórico de certificações da região, que já havia conquistado o reconhecimento como Indicação de Procedência no início de 2025. Aquela primeira chancela validou o método tradicional de fabricação ao longo de uma extensão territorial que abrange mais de quatro mil quilômetros quadrados, envolvendo dez municípios e sete marcas vinícolas em atividade.
A nova etapa visa demonstrar o vínculo indissociável entre a qualidade do produto e os fatores da natureza local. Os limites geográficos definitivos da nova área de certificação ainda serão estabelecidos pelos pesquisadores, que utilizarão os resultados das análises de solo e clima para mapear as zonas que apresentam perfeita homogeneidade e compatibilidade produtiva dentro do território já protegido.
Inovação técnica e tradição na vitivinicultura
A base para a consolidação desse mercado no estado está diretamente ligada ao sucesso da técnica de dupla poda. O manejo inovador consiste em efetuar dois cortes anuais nos ramos da videira, o que altera o ciclo natural da planta e transfere o período de colheita dos frutos para os meses de inverno. Essa mudança estratégica permite que as uvas amadureçam em uma época com baixíssima pluviosidade e marcada por uma forte variação térmica entre o dia e a noite, fatores que elevam a concentração de açúcares e a qualidade da fruta.
Os estudos em torno desse modelo produtivo encontram solo fértil no Campo Experimental de Caldas, unidade da Epamig que se consolida como pioneira no desenvolvimento de pesquisas em uva e vinho no país, celebrando nove décadas de funcionamento e contribuição científica para o campo no decorrer deste ano de 2026. Com informações da Agência Minas


