Entenda como funcionará programa federal contra o crime organizado
O governo federal oficializou nesta quarta-feira o programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma estratégia nacional robusta que visa desmantelar as estruturas de poder das facções criminosas. Com um investimento direto de R$ 1,06 bilhão para este ano e uma linha de crédito adicional de R$ 10 bilhões, o plano foca em atingir o “andar de cima” das organizações, priorizando a inteligência e o estrangulamento financeiro em vez de apenas o confronto ostensivo.
Os quatro pilares da nova estratégia nacional
Para combater as facções de forma sistêmica, o programa foi estruturado em quatro eixos principais, cada um desenhado para atacar uma base de sustentação do crime:
Asfixia Financeira: Foca no rastreamento de capitais e na recuperação de ativos para cortar o lucro das atividades ilícitas.
Segurança Prisional: Visa retomar o controle das unidades penais, impedindo que os presídios funcionem como escritórios do crime.
Investigação de Homicídios: Qualifica a perícia e a inteligência para aumentar a taxa de solução de crimes letais.
Combate ao Tráfico de Armas: Fortalece o rastreamento e a fiscalização de armamentos, munições e explosivos.
Inteligência financeira e tecnologia de ponta
O primeiro eixo do programa receberá R$ 388,9 milhões. A ideia central é que, sem dinheiro, as facções perdem o poder de corrupção e operação. Para isso, o governo expandirá o CIFRA (Comitê Integrado de Investigação Financeira) para outros estados e investirá em softwares modernos capazes de extrair dados de dispositivos móveis e wearables.
Além disso, o Ministério da Justiça centralizará leilões de bens apreendidos, garantindo que o patrimônio acumulado pelo crime retorne como investimento em segurança pública.
Transformação do sistema prisional e isolamento de lideranças
Um dos pontos mais ambiciosos é a elevação de 138 presídios estaduais ao padrão de segurança máxima. O objetivo é isolar as lideranças — estima-se que 80% dos chefes de facções já identificados estejam nessas unidades.
Com um investimento de R$ 330,6 milhões, essas prisões receberão bloqueadores de sinal de celular, scanners corporais, georradares e drones. Também será criado o Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP) para monitorar a articulação criminosa de dentro das celas.
Modernização da perícia e rastreio de armamentos
Para reduzir a impunidade, o governo destinará R$ 201 milhões para equipar polícias científicas e IMLs com tecnologia forense avançada, como comparadores balísticos e bancos de perfis genéticos. No combate ao poder bélico, o programa investirá R$ 145 milhões na criação da Renarm (Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas), focando na origem e no desvio de munições.
Integração federativa e apoio financeiro a estados e municípios
O presidente Lula enfatizou que o programa não pretende interferir na autonomia dos estados, mas sim potencializar o trabalho conjunto. O crime organizado se beneficia da falta de comunicação entre as polícias, e o novo programa busca unir as forças federais e locais através das Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado).
Para apoiar essa modernização, a linha de crédito de R$ 10 bilhões (via Fiis) permitirá que governadores e prefeitos comprem viaturas, câmeras corporais, sistemas de videomonitoramento e equipamentos de perícia, garantindo que a tecnologia chegue à ponta do sistema de segurança. Com informações da Agência Brasil
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