Copom decide por novo corte e Selic recua para 14,5% ao ano
Mesmo diante de um cenário global conturbado pelas tensões no Oriente Médio, o Banco Central do Brasil optou por dar continuidade ao ciclo de flexibilização monetária. Em decisão unânime tomada nesta quarta-feira (29), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Com o ajuste, o índice que baliza a economia nacional passa a ser de 14,5% ao ano, confirmando as projeções que já vinham sendo traçadas pelo mercado financeiro.
A trajetória de queda sucede um longo período de austeridade. Entre meados de 2025 e o início de 2026, a taxa permaneceu congelada em 15%, o patamar mais elevado registrado nas últimas duas décadas. Embora a inflação tenha dado sinais de recuo anteriormente, os conflitos internacionais recentes pressionaram os custos de itens essenciais, como alimentos e combustíveis, adicionando complexidade ao trabalho da autoridade monetária.
Desfalques na diretoria e monitoramento de riscos
A reunião deste mês ocorreu em um contexto de desfalques técnicos no colegiado do Banco Central. Atualmente, o comitê opera sem os diretores de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro, cujos mandatos terminaram no fim do ano passado e ainda aguardam indicações da Presidência da República. Somou-se a isso a ausência pontual do diretor de Administração, motivada por questões pessoais.
Em seu comunicado oficial, o BC adotou um tom cauteloso e evitou antecipar os próximos passos. A principal preocupação reside no prolongamento da guerra no Oriente Médio, que elevou as incertezas e distanciou as projeções inflacionárias da meta estabelecida. O comitê ressaltou que a falta de clareza sobre a duração dos conflitos dificulta a precisão dos modelos de projeção atuais.
O desafio da inflação e o novo sistema de metas
A Selic é a ferramenta primordial para manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro dos limites permitidos. Dados recentes mostram que a prévia da inflação (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril, acumulando 4,37% em doze meses. O mercado financeiro demonstra pessimismo, estimando que o ano feche com uma inflação de 4,86% — acima do teto de 4,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional.
Vale destacar que, desde janeiro de 2025, o Brasil utiliza o sistema de meta contínua. Nesse formato, a meta de 3% é verificada mensalmente com base no acumulado dos últimos doze meses, abandonando a rigidez do ano-calendário (janeiro a dezembro). Essa mudança exige um monitoramento constante e deslocamentos temporais para garantir a convergência dos preços.
Impactos no crédito e no crescimento econômico
A redução dos juros básicos tem como objetivo direto baratear o custo do dinheiro, o que tende a estimular o consumo das famílias e os investimentos produtivos das empresas. Por outro lado, o Banco Central precisa calibrar esse estímulo com cautela para não perder o controle sobre o poder de compra da moeda.
Enquanto a autoridade monetária mantém uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% para 2026, analistas do mercado financeiro, consultados pelo boletim Focus, estão ligeiramente mais otimistas, projetando uma expansão de 1,85%. A próxima revisão detalhada dessas estimativas ocorrerá no Relatório de Política Monetária, previsto para ser divulgado ao final de junho. Com informações da Agência Brasil

