Índice de Confiança do Consumidor atinge maior patamar desde dezembro, aponta FGV
O sentimento do consumidor brasileiro segue em trajetória de recuperação. Pelo segundo mês consecutivo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pelo Ibre/FGV, apresentou crescimento, subindo 1 ponto percentual em abril e atingindo a marca de 89,1 pontos. O patamar iguala o recorde recente registrado no final do ano passado, sinalizando que a percepção das famílias sobre a economia está voltando aos níveis mais altos dos últimos meses.
Situação financeira das famílias impulsiona o índice
O avanço de abril foi sustentado, principalmente, pela visão dos brasileiros sobre o cenário atual. O Índice de Situação Atual (ISA) deu um salto de 2,1 pontos, chegando a 85,3. Dentro desse indicador, o destaque absoluto foi a percepção sobre as finanças domésticas: o item que avalia a situação financeira presente das famílias subiu 3,9 pontos, sendo o grande motor da confiança no mês.
De acordo com especialistas da FGV, esse alívio no bolso é reflexo de um mercado de trabalho que se mantém aquecido e de uma inflação que, por ora, permanece sob controle. Além disso, medidas governamentais, como a isenção do imposto de renda para faixas menores, podem ter gerado um impacto positivo pontual, permitindo uma folga extra no orçamento de quem ganha menos.
Baixa renda lidera a recuperação da confiança
A análise por classes sociais revela que o otimismo está mais presente na base da pirâmide econômica. Famílias com renda mensal de até R$ 2,1 mil registraram um aumento de 3,4 pontos na confiança em abril, acumulando uma alta expressiva após o crescimento de 5,4 pontos já observado em março.
Enquanto o presente é visto com bons olhos, as expectativas para o futuro (Índice de Expectativas – IE) tiveram uma oscilação tímida de 0,2 ponto. Isso indica que, embora o brasileiro sinta uma melhora no agora, ainda mantém certa cautela ao projetar os meses vindouros.
Incertezas externas e endividamento no horizonte
Apesar dos bons números, o clima para o restante do ano é de vigilância. Analistas alertam que o cenário internacional, marcado por conflitos bélicos, representa um risco constante para a inflação interna. Caso as tensões externas pressionem os preços no Brasil, o pessimismo pode retornar rapidamente ao cotidiano do consumidor.
Outro desafio estrutural citado é o elevado nível de endividamento das famílias. Embora tenha ocorrido uma melhora pontual nesse indicador — possivelmente estimulada por políticas públicas de renegociação de débitos —, o endividamento ainda é um entrave para o consumo pleno. A consolidação de uma confiança duradoura dependerá de estratégias que permitam ao cidadão não apenas quitar suas dívidas, mas recuperar sua capacidade de compra sem comprometer a subsistência básica. Com informações da Agência Brasil

