Diretor da Opas convoca países para nova batalha contra o ressurgimento do sarampo nas Américas

O combate ao sarampo nas Américas vive um momento de retrocesso crítico, mas com uma mensagem de esperança e urgência. O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, afirmou que a região possui o conhecimento e as ferramentas necessárias para retomar o status de área livre da doença, algo já alcançado anteriormente em 2016 e 2024. O desafio atual, segundo a entidade, não é a falta de imunizantes, mas sim superar a desinformação e as barreiras que impedem a vacina de chegar às populações mais vulneráveis.

Explosão de casos e o peso da baixa imunização
Os dados estatísticos revelam a gravidade da situação atual. Em 2025, o continente registrou mais de 14,7 mil casos confirmados, um volume 32 vezes superior ao contabilizado no ano anterior. A tendência de alta persiste em 2026, com 15,3 mil casos apenas no início de abril, concentrados majoritariamente no México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá. Mais do que números, a doença tem deixado um rastro de letalidade: foram 32 mortes no ano passado e 11 óbitos registrados apenas no primeiro trimestre deste ano.

Jarbas Barbosa enfatiza que o sarampo é uma das enfermidades mais contagiosas que se conhece. Para evitar surtos, é indispensável que a cobertura vacinal ultrapasse os 95% com as duas doses do esquema básico. “Quando a cobertura cai, o vírus volta. É simples assim”, alertou o diretor, destacando que a percepção de baixo risco por parte da população é um dos maiores obstáculos para a saúde pública.

Resistência brasileira e a ameaça de casos importados
Enquanto a região das Américas como um todo perdeu o certificado de eliminação da doença em novembro de 2025, o Brasil ainda consegue manter o seu status de país livre da circulação endêmica, conquistado em 2024. No entanto, o território nacional não está imune. Em 2025, o país confirmou 38 casos, a maioria ligada à importação do vírus por viajantes.

Em 2026, o sinal de alerta continua aceso com dois casos confirmados até março em pacientes não vacinados. A vigilância epidemiológica brasileira segue monitorando centenas de casos suspeitos para evitar que o vírus volte a se propagar de forma contínua entre a população local.

Reconhecendo os riscos e a importância da prevenção
O sarampo é uma infecção viral aguda que pode evoluir para quadros gravíssimos, como cegueira, pneumonia e inflamação cerebral (encefalite). Os sintomas iniciais incluem febre, tosse, conjuntivite e manchas avermelhadas que começam no rosto e descem pelo corpo. A transmissão ocorre de forma extremamente rápida pelo ar, através de gotículas respiratórias.

A única defesa eficaz é a vacinação. No Brasil, o SUS disponibiliza gratuitamente a vacina tríplice viral. O cronograma prevê a primeira dose aos 12 meses e o reforço aos 15 meses de vida. Adultos de até 59 anos que não possuem registro de imunização ou que estão com o esquema incompleto também devem procurar os postos de saúde para garantir a proteção e ajudar o país a sustentar suas conquistas sanitárias. Com informações da Agência Brasil

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