Compras nos supermercados crescem no primeiro trimestre impulsionadas por benefícios e feriados
O setor supermercadista brasileiro encerrou os primeiros três meses de 2026 com um saldo positivo. Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos estabelecimentos do país avançou 1,92% no primeiro trimestre. O desempenho foi particularmente forte em março, que apresentou um salto de 6,21% em comparação a fevereiro, refletindo tanto a preparação das famílias para a Páscoa quanto o maior número de dias úteis no mês.
Injeção de renda e fatores econômicos
A performance do setor foi sustentada por uma circulação mais robusta de capital na economia. Em março, o programa Bolsa Família destinou mais de R$ 12,7 bilhões a cerca de 18,7 milhões de lares. Além disso, o pagamento de cotas do PIS/Pasep adicionou aproximadamente R$ 2,5 bilhões ao orçamento das famílias. Esse suporte financeiro foi crucial para manter o ritmo de abastecimento das despensas, mesmo diante de oscilações nos preços.
Cesta de consumo básica apresenta alta nos preços
Apesar do aumento no volume de vendas, o custo de vida no supermercado ficou mais elevado. O indicador Abrasmercado, que monitora 35 produtos essenciais, registrou uma inflação setorial de 2,20% apenas em março, elevando o valor médio da cesta nacional para R$ 820,54.
Entre os itens que mais pesaram no bolso do consumidor, o feijão foi o grande vilão, com alta de 15,40% no mês. O leite longa vida (+11,74%) e produtos hortifrutis, como o tomate e a cebola, também tiveram reajustes expressivos devido a fatores sazonais e de oferta. Por outro lado, itens como açúcar refinado, café e óleo de soja registraram quedas, oferecendo um leve alívio em categorias específicas.
Panorama regional e projeções futuras
O Nordeste liderou o aumento de preços no último mês, com uma variação de 2,49% no valor da cesta, enquanto as demais regiões também apresentaram altas escalonadas. Para o segundo trimestre, a expectativa da Abras é de que o consumo continue aquecido. O otimismo baseia-se na antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS, prevista para injetar R$ 78,2 bilhões na economia a partir do final de abril, além do início dos pagamentos das restituições do Imposto de Renda em maio.
Entretanto, o setor mantém cautela. Fatores externos, como a valorização do petróleo e os custos logísticos internacionais, podem pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses, especialmente aqueles que dependem de longas cadeias de transporte e distribuição. Com informações da Agência Brasil

