O novo retrato do Brasil: envelhecimento acelerado e mudanças profundas nos lares

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2025, apresentados pelo IBGE neste mês de abril, revelam uma nação em plena transição demográfica. O país não apenas cresce em um ritmo significativamente mais lento, como também apresenta uma estrutura etária que se desloca rapidamente para o topo da pirâmide. Com uma população residente estimada em 212,7 milhões de pessoas, o Brasil registrou uma expansão de apenas 0,39% no último ano, consolidando uma tendência de taxas inferiores a 0,60% observada desde 2021.

O estreitamento da base da pirâmide etária é evidente. O contingente de brasileiros com menos de 40 anos recuou 6,1% na comparação entre 2012 e 2025. Em contrapartida, a parcela de cidadãos com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 16,6% no mesmo período, evidenciando o desafio de lidar com uma sociedade cada vez mais madura.

A nova configuração da identidade e das moradias
A pesquisa também detectou transformações na autodeclaração de cor ou raça e na composição das famílias. O número de brasileiros que se identificam como brancos caiu de 46,4% em 2012 para 42,6% em 2025. No caminho inverso, a população preta cresceu de 7,4% para 10,4%, com destaque para a região Norte, onde esse grupo saltou para 12,9%. No Sul, o destaque foi o aumento da população parda, que agora representa 22% dos residentes.

Dentro de casa, o isolamento social voluntário ganha força. Quase um em cada cinco domicílios brasileiros (19,7%) é ocupado por apenas uma pessoa, um crescimento notável frente aos 12,2% registrados em 2012. O perfil desse morador solitário varia conforme o gênero: enquanto a maioria dos homens que vivem sozinhos está na faixa dos 30 aos 59 anos, entre as mulheres a solidão domiciliar é predominante naquelas com mais de 60 anos.

Crise da casa própria e a verticalização das cidades
O sonho da casa própria quitada parece estar mais distante para muitos brasileiros. Desde 2016, a proporção de imóveis próprios e já pagos caiu para 60,2%, uma redução de 6,6 pontos percentuais. Em paralelo, o mercado de aluguéis avançou, atingindo 23,8% dos domicílios.

A paisagem urbana também reflete essa mudança. Embora as casas ainda sejam o tipo de moradia preferido de 82,7% da população, os apartamentos ganharam espaço e já representam 17,1% das habitações. Essa verticalização é acompanhada por melhorias no acesso a bens de consumo: hoje, 72,1% dos lares possuem máquina de lavar e quase metade das residências brasileiras (49,1%) tem um carro na garagem.

A persistência do fosso na infraestrutura básica
Apesar dos avanços gerais, o saneamento e o acesso à água ainda expõem as feridas das desigualdades regionais. Enquanto o Sudeste desfruta de 92,4% de abastecimento por rede geral, no Norte esse índice cai para 60,9%, com muitos lares dependendo de poços artesianos.

No saneamento básico, a disparidade é ainda mais gritante: o Sudeste alcança 90,7% de cobertura de rede de esgoto, enquanto no Norte o índice despenca para 30,6%, onde as fossas precárias ainda são realidade para quase 40% das moradias. No que diz respeito à energia elétrica, o país beira a universalização nas áreas urbanas, mas 15,1% das residências rurais na região Norte ainda aguardam pela chegada da rede geral de luz. Com informações da Agência Brasil

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