O despertar da Geração Prateada e o novo rosto do empreendedorismo brasileiro

A longevidade está redesenhando a economia nacional. O Brasil atingiu a marca de 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, um contingente que cresceu quase 60% na década passada. Esse fenômeno, conhecido como Economia Prateada, revela um público que recusa a inatividade e busca no negócio próprio uma forma de manter propósito, gerar renda e aplicar décadas de experiência acumulada no mercado de trabalho.

Impulsionado pelo aumento da expectativa de vida — que saltou de 62,6 anos na década de 80 para os atuais 76,4 anos —, esse grupo já representa um quinto da população em idade para trabalhar no país. Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo lideram essa estatística, concentrando as maiores proporções de idosos economicamente ativos.

Propósito e resgate de saberes tradicionais
O perfil do empreendedor sênior brasileiro é marcado por uma forte conexão com vocações locais e sustentabilidade. Segundo o Sebrae Nacional, que gerencia programas específicos para este público, há um movimento intenso de valorização de conhecimentos tradicionais. Exemplos disso são a produção de artesanato a partir de redes de pesca descartadas em comunidades do Sul e o cultivo de ervas medicinais e sementes.

A busca por um negócio próprio nessa fase da vida muitas vezes está ligada ao desejo de resolver problemas comunitários e preservar o meio ambiente. De acordo com gestores do programa Empreendedorismo Sênior 60+, esses profissionais possuem um olhar atento às transformações do planeta e uma responsabilidade aguçada em manter ecossistemas vivos e integrados.

Apoio especializado e combate ao preconceito
Para atender essa demanda crescente, o Sebrae oferece mentorias, consultorias e cursos gratuitos adaptados. O foco não é apenas abrir empresas, mas garantir que o negócio respeite o tempo do empreendedor maduro, permitindo que ele aproveite a vida sem a sobrecarga de jornadas exaustivas. A meta é audaciosa: alcançar 1 milhão de atendimentos até o final de 2026.

Entretanto, o caminho para a Geração Prateada ainda encontra obstáculos. O etarismo — o preconceito baseado na idade — continua sendo um dos principais entraves para a permanência desses profissionais no mercado formal. Pesquisadores do Ibre/FGV alertam que o combate a essa discriminação é vital para a economia, uma vez que o Brasil enfrenta um envelhecimento populacional acelerado sem a reposição proporcional de jovens na força de trabalho.

Formalização como estratégia de segurança
Especialistas reforçam que, além de ser uma alternativa à aposentadoria tradicional, o empreendedorismo sênior precisa ser acompanhado pela formalização. Garantir que o negócio esteja dentro das normas legais evita a vulnerabilidade social e assegura direitos. Seja por necessidade financeira ou pela vontade de manter vínculos profissionais, o empreendedor 60+ está provando que a maturidade é sinônimo de engajamento, consumo consciente e um motor essencial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Com informações da Agência Brasil

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