Novas cultivares de pimenta prometem revolucionar indústria e setor de ornamentação

O mercado brasileiro de condimentos e plantas ornamentais está prestes a receber um reforço tecnológico de peso. A Embrapa Hortaliças avançou na fase de validação de novos materiais genéticos do gênero Capsicum, desenvolvidos para atender desde o pequeno produtor até as grandes indústrias de processamento. O pacote de inovações inclui variedades que se destacam pela produtividade e versatilidade, abrangendo tipos populares como jalapeño, murupi e pimenta-de-cheiro, além de uma opção exclusiva para o cultivo decorativo em vasos.

Diversificação e foco na colheita mecanizada
A atualização do portfólio de cultivares busca preencher lacunas estratégicas no setor produtivo. Segundo a coordenação do programa de melhoramento genético da Embrapa, a demanda atual exige plantas que não apenas produzam frutos de alta qualidade, mas que também sejam adaptadas a sistemas de cultivo orgânico e facilitem a colheita mecanizada ou semimecanizada.

Entre as novidades em teste, destacam-se duas variações de pimenta jalapeño, ideais para a fabricação de molhos e desidratação, e uma pimenta murupi, voltada tanto para o consumo in natura quanto para conservas. A pesquisa também priorizou a resistência e a competitividade, garantindo que os novos materiais entreguem características industriais superiores para uma produção mais sustentável.

A maior coleção genética da América Latina
O segredo por trás dessa evolução contínua é o robusto banco de germoplasma da Embrapa, o maior da América Latina. Com cerca de 2 mil acessos e uma base de dados que envolve mais de 30 mil materiais, esse acervo genético permite que os cientistas selecionem características específicas para criar plantas mais produtivas e resistentes a doenças. Ao longo de quatro décadas, esse programa já disponibilizou variedades consagradas como a biquinho, a dedo-de-moça e a habanero, consolidando a autonomia tecnológica do país no segmento.

Entendendo a picância e o uso gastronômico
A presença das pimentas na gastronomia brasileira tem se sofisticado, com consumidores buscando diferentes graduações de sabor e ardência. Para orientar essa escolha, a indústria utiliza a Escala de Scoville (SHU), que mede a concentração de capsaicina nos frutos.
Jalapeño (Moderação): Muito utilizada em molhos, possui polpa grossa e cor vibrante. A cultivar BRS Sarakura, por exemplo, atinge até 58 mil SHU e impressiona pelo rendimento de 60 toneladas por hectare.

Dedo-de-moça (Versatilidade): Essencial em conservas e azeites. A BRS Mari destaca-se por sua picância de 96 mil SHU, bem acima da média tradicional para este grupo.

Habanero e Murupi (Intensidade): Para quem busca experiências extremas, a BRS Juruti (Habanero) alcança 260 mil SHU, enquanto a pimenta amazônica Murupi varia entre 130 mil e 200 mil SHU, sendo indispensável em pratos típicos como o tacacá.

Veja aqui o portfólio de cultivares de pimenta da Embrapa.
Com informações da Embrapa

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