Desinformação deixa milhões de adolescentes expostos ao vírus HPV

O Brasil enfrenta um desafio silencioso, mas de graves proporções para as futuras gerações: a desproteção de adolescentes contra o papilomavírus humano (HPV). Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize gratuitamente uma vacina capaz de prevenir diversos tipos de câncer, a adesão ainda caminha abaixo do necessário. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE, revelam que apenas 54,9% dos jovens entre 13 e 17 anos têm certeza de que completaram seu esquema vacinal.

O abismo entre a proteção e o risco real
O HPV não é apenas uma infecção comum; ele é o agente causador de 99% dos casos de câncer de colo do útero, além de estar diretamente ligado a tumores malignos no ânus, pênis, boca e garganta. O levantamento do IBGE acende um sinal vermelho ao indicar que cerca de 1,3 milhão de adolescentes estão comprovadamente desprotegidos, enquanto outros 4,2 milhões vivem em um estado de vulnerabilidade potencial por desconhecerem sua situação vacinal.

A eficácia do imunizante está diretamente ligada ao momento da aplicação. O ideal é que meninos e meninas recebam a dose entre os 9 e 14 anos, preferencialmente antes da iniciação sexual. A urgência é ratificada pelos números: a idade média da primeira relação sexual no país é de 13,3 anos para meninos e 14,3 anos para meninas, período em que muitos ainda não buscaram o posto de saúde.

Desinformação é o principal entrave para a imunização
Diferente do que se imagina, o movimento antivacina não é o único vilão. Metade dos estudantes que não se vacinaram afirmou que simplesmente não sabia da necessidade da dose. Especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) apontam que a baixa percepção de risco e a falta de clareza sobre quais vacinas estão disponíveis são os maiores obstáculos atuais.

Existem também nuances entre as redes de ensino: enquanto na rede pública a falta de acesso e informação prevalece, na rede privada a resistência dos responsáveis é mais acentuada, atingindo 15,8% dos casos de hesitação. Nesse cenário, o ambiente escolar surge como um aliado estratégico, funcionando como um polo de educação para os jovens e um facilitador de acesso para os pais.

Estratégias de resgate e a nova dose única
Para reverter a queda de cobertura registrada nos últimos anos, o Ministério da Saúde implementou mudanças importantes. Desde 2024, a vacina contra o HPV passou a ser aplicada em dose única, simplificando o processo. Além disso, está em curso uma campanha de resgate vacinal voltada para jovens de 15 a 19 anos que perderam o prazo recomendado.

Essa ofensiva de imunização, que inclui ações diretas nas escolas, seguirá ativa até junho de 2026. Para quem tem dúvidas sobre o próprio histórico, o governo orienta a consulta pelo aplicativo Meu SUS Digital. O exemplo de famílias que mantêm a caderneta em dia, muitas vezes com o suporte rigoroso de pediatras, reforça que a conscientização ainda é o melhor remédio contra o avanço do câncer. Com informações da Agência Brasil

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