Minas Gerais prepara expansão para se tornar referência na produção de cacau
O estado de Minas Gerais está articulando uma estratégia robusta para consolidar um novo polo de produção de cacau em seu território. Atualmente ocupando a décima posição no ranking nacional, com uma área cultivada de 580 hectares, o estado visualiza um horizonte de crescimento acelerado. Segundo o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, o potencial mineiro é impulsionado por investimentos em tecnologia e pesquisas de ponta, com foco especial na adaptação da cultura a regiões até então não tradicionais para esse tipo de plantio.
O clima favorável do Norte de Minas e as técnicas de irrigação
A grande aposta para o sucesso da cultura em solo mineiro reside nas características climáticas do Norte de Minas. A combinação de altas temperaturas e baixa umidade, aliada ao uso de tecnologias modernas de irrigação, cria um ambiente propício para o desenvolvimento dos cacaueiros. Uma das técnicas que vem ganhando espaço é o plantio consorciado com a banana. Esse sistema agroflorestal permite que as bananeiras ofereçam o sombreamento e a umidade necessários para a proteção do cacau em suas fases iniciais, otimizando o uso da terra.
Epamig lidera pesquisas para cultivos em áreas de semiárido
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) está na vanguarda desse processo, desenvolvendo estudos para identificar as melhores formas de manejo regional. O projeto, coordenado pela pesquisadora Wlly Dias, está na etapa de estruturação de áreas experimentais nos campos de Mocambinho e Gorutuba. O diferencial da pesquisa mineira é testar o comportamento do cacau em condições de pleno sol e com proteção solar parcial, desafiando o modelo tradicional de cultivo à sombra para entender a viabilidade produtiva no semiárido.
Geração de emprego e fortalecimento da economia regional
Além do aspecto técnico, a cacauicultura se firma como um motor social e econômico. Dados da Emater-MG apontam que cada hectare de cacau é capaz de gerar dois empregos diretos e quatro indiretos. Esse impacto fez com que o fruto passasse a integrar o levantamento oficial de safras do estado, auxiliando na criação de políticas públicas mais assertivas. O município de Jaíba lidera a produção estadual, detendo mais de 53% da área plantada em Minas Gerais, seguido por Janaúba, Bandeira e Matias Cardoso.
Presença no mercado internacional e parcerias acadêmicas
A força do setor também se reflete na balança comercial. Minas Gerais já exporta cerca de 7 mil toneladas de cacau e derivados, como chocolates e manteiga de cacau, gerando uma receita de 64,9 milhões de dólares. Para sustentar esse crescimento, a Epamig integra agora o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, em parceria com a UFV e a UFLA. A união entre governo e universidades busca garantir que o conhecimento científico se transforme em produtividade e renda para os produtores mineiros. Com informações da Agência Minas


