Novos selos da Embrapa pavimentam caminho para milho e sorgo sustentáveis no mercado global

O agronegócio brasileiro dá um passo decisivo rumo à descarbonização com o lançamento dos programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC). As iniciativas, lideradas pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), buscam transformar a sustentabilidade em um ativo financeiro, permitindo que produtores comprovem a eficiência climática de suas lavouras por meio de protocolos científicos rigorosos. Com a abertura de um edital público prevista para agosto de 2026, a estatal busca parceiros para validar os critérios que colocarão os grãos brasileiros em patamares elevados de competitividade internacional.

Marcas-conceito para um mercado mais exigente
A grande inovação desses novos selos reside no foco direto sobre o produto e não apenas sobre a propriedade rural. Ao quantificar a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por tonelada de grão produzida, a Embrapa permite que o mercado identifique quais lavouras são mais eficientes na balança entre produção e preservação.

Essas marcas-conceito já seguem o sucesso de iniciativas anteriores, como a Carne, a Soja e o Trigo Baixo Carbono. O objetivo é criar um padrão que atenda aos critérios de MRV (Medição, Relato e Verificação), garantindo que a certificação — que será voluntária e realizada por instituições de terceira parte — tenha credibilidade inquestionável em fóruns globais.

Desenvolvimento e validação em duas etapas estratégicas
O cronograma dos programas está dividido em fases complementares para assegurar que a teoria científica se adapte à realidade do campo.

Fase de inovação: envolve a criação das diretrizes técnicas e o registro dos protocolos junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Fase de validação em campo: durante três anos, unidades de observação espalhadas pelo país fornecerão dados reais sobre o balanço de carbono no solo, uso de insumos e operações mecanizadas.

Segundo o pesquisador Ciro Augusto Magalhães, esse monitoramento permitirá calcular com precisão o impacto ambiental de todo o ciclo produtivo. A meta é premiar a eficiência produtiva por unidade de carbono emitida, sem que isso signifique qualquer prejuízo ao rendimento da safra.

Parcerias público-privadas como motor da mudança
Para que os selos MBC e SgBC ganhem escala, a Embrapa aposta no engajamento do setor privado. Através do edital de agosto de 2026, instituições apoiadoras poderão contribuir na construção coletiva das diretrizes, garantindo que os protocolos sejam aplicáveis e robustos.

A união entre a ciência da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Soja (PR) com o mercado visa resolver uma “dor” crescente: a pressão por alimentos com origem garantida. Como destaca a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Cynthia Damasceno, essas parcerias são o que tornará o sistema de certificação acessível e viável, transformando o Brasil em um protagonista da economia verde global. Com informações da Embrapa

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