Santuários de preservação garantem estabilidade ambiental em meio à crise climática

Um novo levantamento da Unesco, apresentado nesta semana em Paris, revela que as áreas protegidas pela organização funcionam como verdadeiras fortalezas contra o colapso da biodiversidade. Enquanto o número de animais selvagens no planeta sofreu uma queda drástica de 73% desde 1970, as populações que habitam os sítios sob tutela da entidade permanecem comparativamente estáveis. O relatório “Comunidades e natureza nos Sítios da Unesco” consolida, pela primeira vez, dados de mais de 2.260 locais, abrangendo Geoparques, Reservas da Biosfera e Patrimônios Mundiais que somam 13 milhões de quilômetros quadrados — uma extensão maior que as áreas da China e da Índia somadas.

Riqueza biológica e o papel estratégico do Brasil
O Brasil ocupa uma posição de destaque nessa rede global de proteção. Entre as áreas mencionadas pela Unesco está o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que passou a integrar a seleta lista de Patrimônio Mundial em julho de 2024. A região é refúgio para espécies ameaçadas, como o peixe-boi-marinho, o gato-do-mato, a lontra-neotropical e o guará. Outro pilar da conservação nacional é o Parque Nacional do Iguaçu, protegido pela entidade desde 1986, que abriga uma biodiversidade monumental composta por mais de duas mil variedades de plantas e centenas de espécies de aves e mamíferos.

Escudo contra o aquecimento global
Além de preservar a fauna e a flora, esses territórios desempenham um papel vital na regulação do clima. Estima-se que os sítios da Unesco estoquem cerca de 240 gigatoneladas de carbono. Caso esse volume fosse liberado, equivaleria a quase 20 anos de emissões globais. Atualmente, as florestas contidas nessas áreas são responsáveis por absorver 15% de todo o carbono retido por matas ao redor do mundo. O diretor-geral da instituição, Khaled El-Enany, alerta que esses locais são ativos estratégicos e que cada grau de aquecimento evitado hoje pode reduzir pela metade o risco de rupturas ambientais graves nessas regiões até o fim do século.

Ameaças iminentes e pontos de ruptura
Apesar da importância ecológica, o cenário é de alerta. O relatório aponta que quase 90% desses santuários sofrem com estresse ambiental elevado, e os riscos climáticos cresceram 40% apenas na última década. A projeção é preocupante: um em cada quatro sítios pode atingir um limite irreversível até o ano de 2050. Sem medidas preventivas robustas, o mundo pode testemunhar o derretimento de geleiras, a morte de recifes de coral e a transformação de florestas — que hoje limpam o ar — em fontes emissoras de poluentes.

Conexão cultural e economia sustentável
A preservação desses espaços também é uma questão humanitária e econômica. Cerca de 900 milhões de pessoas vivem nessas áreas ou em seu entorno, o que representa 10% da população mundial. Além disso, os sítios são berços de diversidade cultural, onde são faladas mais de mil línguas e pelo menos um quarto do território pertence a povos indígenas. Economicamente, essas regiões e suas adjacências respondem por aproximadamente 10% do PIB global, provando que o desenvolvimento e a conservação podem caminhar juntos. A Unesco recomenda que os países integrem esses locais em seus planos climáticos nacionais e adotem governanças mais inclusivas para garantir o futuro das próximas gerações. Com informações da Agência Brasil

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