Ciência e mercado se unem para validar novos bioinsumos destinados ao cultivo de alface e alho

A agricultura brasileira caminha para um novo patamar de sustentabilidade com a abertura de parcerias estratégicas entre a Embrapa e o setor privado. O objetivo é validar e levar ao mercado quatro ativos tecnológicos baseados em microrganismos que prometem reduzir custos e aumentar a produtividade. O foco inicial da chamada contempla soluções biológicas para alface e alho, apresentando resultados em ambiente controlado que sugerem uma transformação no manejo nutricional e sanitário dessas hortaliças.

Alface com maior produtividade e menor dependência de adubo mineral
A linha FosPHort surge como uma das principais soluções do portfólio disponível para testes em larga escala. Desenvolvidos para hortaliças de ciclo curto, os ativos FosPHort Lev e FosPHort Mix agem diretamente no desenvolvimento radicular e na química do solo.

Ensaios com o FosPHort Lev indicaram um aumento na biomassa fresca da alface de até 30%, mas o diferencial competitivo reside na economia de insumos. A tecnologia permite reduzir em até 40% a necessidade de adubação fosfatada mineral, o que alivia o bolso do produtor e diminui o impacto ambiental relacionado à mineração e ao transporte de fertilizantes. Além disso, o FosPHort Mix utiliza um combinado de bactérias e leveduras que liberam o fósforo retido no solo, tornando-o disponível para a planta.

Proteção biológica contra a raiz rosada no alho
Para quem cultiva alho, o desafio central é o controle da raiz rosada, doença causada pelo fungo Setophoma terrestris. A Embrapa disponibiliza agora os ativos BioSeto20 e BioSeto21 como alternativas naturais e de baixo custo.

Esses bioinsumos reduzem a severidade da infecção fúngica e estimulam o vigor físico da cultura, resultando em raízes mais densas e plantas com maior estatura. Por serem produtos de base biológica, eles oferecem maior resiliência ao sistema produtivo diante de variações climáticas e altas temperaturas, além de representarem uma transição segura para modelos agrícolas com menor carga de resíduos químicos.

Caminho para o escalonamento e a validação comercial
O desenvolvimento dessas tecnologias segue a escala de Nível de Maturidade Tecnológica (TRL), garantindo que as pesquisas tenham base científica sólida antes de chegar ao campo. Segundo a pesquisadora Mariana Fontenelle, o momento é de expandir os testes para condições reais de operação.

A participação de empresas parceiras é fundamental para que esses ativos alcancem o escalonamento industrial necessário. A analista Lenita Haber reforça que essa colaboração é o que permitirá transformar a inteligência gerada nos laboratórios em produtos acessíveis ao mercado. Embora o foco atual esteja concentrado em alface e alho, a Embrapa já planeja adaptar essas soluções para outras hortaliças, consolidando os bioinsumos como pilares da sustentabilidade e da segurança alimentar no Brasil. Com informações da Embrapa

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