Invisibilidade e impacto econômico impõem urgência em políticas para a menopausa no Brasil
Um levantamento inédito apresentado pelo Instituto Esfera, em Brasília, lança luz sobre uma fase natural da vida feminina que, por falta de suporte público, tem se tornado um fator de exclusão social e crise financeira. O estudo defende que o acolhimento institucional de mulheres na menopausa não é apenas uma questão de saúde individual, mas uma necessidade estratégica para a economia e para a estabilidade das famílias brasileiras.
O peso desproporcional sobre mulheres negras e vulneráveis
A pesquisa revela que a menopausa não atinge todas as mulheres da mesma forma. Existe um cruzamento crítico entre biologia e vulnerabilidade social que penaliza severamente as mulheres negras e moradoras de áreas desassistidas. Para esse grupo, os sintomas costumam ser mais intensos e o suporte médico, mais escasso. Como muitas dessas mulheres ocupam o papel de arrimo de família, qualquer queda na produtividade ou afastamento por razões de saúde impacta diretamente o sustento de todo o núcleo familiar, fragilizando sua posição em um mercado de trabalho já desigual.
Reflexos na saúde mental e no sistema previdenciário
O documento, elaborado pela pesquisadora Clarita Costa Maia e pela médica Fabiane Berta de Sousa, alerta que a ausência de tratamento adequado pode ser o gatilho para problemas graves. Entre as consequências citadas estão o aumento do risco de depressão e até o desenvolvimento precoce de Alzheimer. Além disso, o estudo aponta para um fenômeno contemporâneo de menopausa e andropausa precoces, influenciados pelo estilo de vida atual.
Sem o devido acompanhamento, o resultado é um ciclo de afastamentos laborais que sobrecarrega a Previdência Social. O Brasil deixa de contar com profissionais em sua plenitude intelectual para lidar com um aumento de demandas por auxílios e aposentadorias por invalidez que poderiam ser evitados com prevenção e informação.
O custo do silêncio e a necessidade de um mapeamento nacional
Os números globais ajudam a dimensionar a gravidade da situação. Nos Estados Unidos, o custo anual relacionado aos impactos da menopausa chega a US$ 26,6 bilhões; no mundo, esse valor salta para US$ 150 bilhões. No Brasil, estima-se que 29 milhões de mulheres estejam atravessando esse período, e quase 88% delas apresentam sintomas. No entanto, o abismo do cuidado é profundo: apenas 22,4% buscam ajuda profissional.
Para mudar essa realidade, o Instituto Esfera propõe a criação de um mapeamento nacional estruturado. A ideia é transformar a menopausa em uma pauta de cidadania e proteção institucional, sem tratar o envelhecimento como doença, mas garantindo que o ciclo de vida feminino seja respeitado e assistido pelo Estado.
Avanços no debate público
Durante o lançamento do estudo, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, destacou que o envelhecimento populacional tem forçado uma mudança de perspectiva. Segundo ela, grupos de mulheres na menopausa têm demonstrado grande protagonismo em fóruns recentes da pasta, sinalizando que a demanda por atenção especializada finalmente começou a ganhar voz dentro das instâncias governamentais. Com informações da Agência Brasil


