Banco do Brasil enfrenta pressão contábil e registra lucro de R$ 20,6 bilhões em 2025
O Banco do Brasil (BB) encerrou o ano de 2025 com um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões, conforme balanço financeiro apresentado nesta semana. O montante representa uma retração de 45,4% quando comparado ao desempenho de 2024. De acordo com a instituição, esse resultado foi fortemente influenciado pela entrada em vigor de novas diretrizes contábeis e pelo crescimento dos índices de inadimplência no país.
Apesar da queda anual, o banco demonstrou sinais de recuperação no fechamento do ano. Entre outubro e dezembro, o lucro atingiu R$ 5,742 bilhões, o que configura um salto expressivo de 51,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025, indicando uma tendência de retomada para o próximo exercício.
Mudanças nas regras de provisão e o impacto do agronegócio
Um dos principais fatores para a variação nos números foi a implementação de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). A norma alterou o modelo de contabilidade para o formato de “perda esperada”, obrigando as instituições financeiras a realizarem provisões baseadas em estimativas de calotes futuros. Essa mudança fez com que o banco deixasse de reconhecer cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito no período.
Somado ao cenário contábil, a inadimplência acima de 90 dias saltou de 3,16% para 5,17% em um ano. O setor que mais pressionou esse indicador foi o agronegócio, segmento no qual o BB detém liderança de mercado, com atrasos chegando a 6,09% na carteira rural. No segmento de pessoas físicas, os atrasos também subiram, fechando o ano em 6,56%.
Crédito para o trabalhador impulsiona carteira de pessoas físicas
Mesmo diante de juros elevados, o Banco do Brasil expandiu sua oferta de crédito, alcançando uma carteira ampliada de R$ 1,296 trilhão. O grande destaque positivo foi o desempenho junto às pessoas físicas, que somou R$ 356,9 bilhões. A estratégia foi alavancada pelo “Programa Crédito do Trabalhador”, voltado para funcionários de empresas privadas (CLT).
Segundo a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, a instituição desembolsou R$ 13 bilhões apenas nessa modalidade. Ela ressaltou que o foco tem sido o crescimento em linhas que oferecem melhor retorno ajustado ao risco, reafirmando o compromisso do banco em apoiar a renda do trabalhador enquanto mantém a solidez financeira.
Sustentabilidade e projeções de retomada para 2026
A instituição também reforçou seu papel no financiamento de projetos com impacto socioambiental. A Carteira de Crédito Sustentável atingiu R$ 415,1 bilhões, representando agora 32% de todo o crédito concedido pelo banco, com um crescimento de 7,3% em doze meses.
Para o futuro próximo, o otimismo prevalece. O Banco do Brasil divulgou suas projeções para 2026 (guidance), prevendo que o lucro líquido ajustado retorne ao patamar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. O banco aposta na recuperação das receitas de serviços e na estabilização das despesas administrativas, que subiram 5,1% no último ano devido a investimentos em tecnologia, cibersegurança e reajustes salariais. Tarciana Medeiros acredita que os sinais de inflexão já são visíveis e que o BB está pronto para retomar níveis de rentabilidade condizentes com sua importância histórica. Com informações da Agência Brasil

