Obesidade dobra em 18 anos e atinge um em cada quatro brasileiros
O perfil epidemiológico do Brasil sofreu uma transformação drástica e preocupante nas últimas duas décadas. De acordo com os dados do sistema Vigitel, divulgados pelo Ministério da Saúde, a obesidade saltou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. O cenário de excesso de peso é ainda mais abrangente, afetando agora 62,6% da população adulta nas capitais, um aumento de 20 pontos percentuais em relação ao índice registrado há 18 anos.
O crescimento do peso corporal trouxe consigo um reflexo direto no diagnóstico de enfermidades graves. O diabetes em adultos mais que dobrou, saltando de 5,5% para 12,9% no período analisado. Já a hipertensão arterial agora atinge quase 30% da população adulta das capitais brasileiras.
Um dos fatores que explicam esse fenômeno é a mudança na mobilidade urbana. A prática de atividade física durante o deslocamento diário caiu de 17% (2009) para 11,3% (2024), impulsionada pela popularização de transportes por aplicativo. Por outro lado, houve um dado animador no lazer: o número de brasileiros que praticam ao menos 150 minutos de exercícios semanais no tempo livre subiu para 42,3%.
Sono insuficiente: o novo vilão da saúde nacional
Pela primeira vez, o Ministério da Saúde incluiu a qualidade do sono em seu inquérito nacional, revelando dados alarmantes. Cerca de 31,7% dos adultos sofrem com sintomas de insônia, condição que afeta mais as mulheres (36,2%) do que os homens (26,2%). Além disso, um em cada cinco brasileiros dorme menos de seis horas por noite.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou que o sono de má qualidade está intrinsecamente ligado ao ganho de peso, à piora de quadros de saúde mental e ao agravamento de doenças crônicas. A orientação agora é que as equipes de atenção primária do SUS incluam o sono como pergunta obrigatória nas consultas de rotina.
Paradoxos alimentares e a estratégia Viva Mais Brasil
Apesar do aumento da obesidade, o brasileiro tem feito algumas escolhas melhores à mesa: o consumo de refrigerantes e sucos artificiais caiu pela metade (de 30,9% para 16,2%). No entanto, o consumo de frutas e hortaliças permanece estagnado e abaixo do ideal, o que, somado ao envelhecimento populacional, mantém a pressão sobre o sistema de saúde.
Para combater esses indicadores, o governo federal lançou a estratégia Viva Mais Brasil. Com um investimento previsto de R$ 340 milhões, a iniciativa foca em dez compromissos centrais, que incluem:
Incentivo à vida ativa e alimentação saudável;
Retomada do programa Academia da Saúde (com aporte de R$ 40 milhões em 2026);
Redução do tabagismo e do consumo de álcool;
Promoção de saúde nas escolas e vacinação em massa.
A meta é articular as políticas do SUS com o setor privado para garantir que a população tenha não apenas acesso ao tratamento, mas suporte para adotar estilos de vida que previnam o surgimento de novas patologias. Com informações da Agência Brasil

