Equilíbrio no campo: os desafios climáticos e ambientais na produção de arroz irrigado

A produção de arroz irrigado no Brasil enfrenta um cenário de crescente complexidade, onde a instabilidade do clima exige que o produtor rural se torne um gestor de riscos cada vez mais refinado. Estudos realizados pela Embrapa Arroz e Feijão revelam que o manejo dessa cultura se transformou em um jogo de compensações (os chamados trade-offs): cada escolha para aumentar a produtividade ou reduzir custos impacta diretamente a emissão de gases de efeito estufa, como o metano e o óxido nitroso.

O desafio central reside no fato de que, muitas vezes, a solução para um problema ambiental pode acabar estimulando outro. Esse equilíbrio delicado exige leitura precisa do solo, do clima e das janelas operacionais de cada propriedade.

O dilema da água e as emissões de gases
A gestão do alagamento é o ponto mais crítico dessa balança. A técnica da irrigação intermitente, que alterna períodos de solo seco e inundado, é uma aliada na redução do metano (CH4​), gás que prolifera em solos saturados de água e sem oxigênio. Contudo, essa mesma oxigenação do solo, ao ocorrer de forma descontrolada, pode favorecer a liberação de óxido nitroso (N2​O).

Para que essa estratégia seja bem-sucedida, não basta apenas abrir e fechar as comportas; é necessário um monitoramento rigoroso da lâmina d’água e do calendário de drenagem. Sem uma infraestrutura adequada, o produtor corre o risco de expor a lavoura ao estresse hídrico, especialmente durante as ondas de calor que têm se tornado mais frequentes.

Fertilizantes e gestão de resíduos
O uso de nitrogênio também coloca o rizicultor diante de decisões difíceis. Embora fertilizantes de liberação controlada e inibidores químicos ajudem a conter as emissões de N2​O, eles elevam o custo de produção por hectare. A viabilidade dessas tecnologias de baixo carbono depende, portanto, da valorização do preço do arroz no mercado e do acesso a linhas de crédito incentivadas.

Da mesma forma, o manejo da palhada remanescente exige cautela. Manter os resíduos vegetais na superfície protege a estrutura do solo e aumenta sua resiliência a longo prazo. No entanto, se o solo for inundado logo em seguida, essa matéria orgânica torna-se combustível para a produção de metano. Por outro lado, a queima ou remoção da palha, embora reduza o metano no curto prazo, empobrece a terra e libera dióxido de carbono (CO2​) e fuligem na atmosfera.

Recomendações para uma lavoura resiliente
Diante da inexistência de uma “solução única”, a Embrapa orienta que o sucesso da safra depende da combinação de tecnologias ajustadas área por área. O monitoramento contínuo de indicadores como umidade, doses de nitrogênio e rendimento deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade de sobrevivência econômica e ambiental.

As principais diretrizes para o produtor incluem:
Planejamento estratégico: Utilizar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para definir as melhores datas de plantio.

Genética e biotecnologia: Selecionar cultivares adaptadas ao estresse climático e integrar o uso de bioinsumos para o controle de pragas.

Conservação: Adotar o plantio direto e a rotação de culturas para preservar o carbono no solo, evitando picos de emissão por excesso de chuva.

Através de assistência técnica qualificada e políticas públicas de fomento, o objetivo é garantir que a intensificação da produção de arroz resulte em maior eficiência por tonelada colhida, assegurando a rentabilidade do produtor e a sustentabilidade do planeta. Com informações da Embrapa

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