Pará de Minas mantém dengue sob controle, mas alerta cresce

Pará de Minas encerra o mês de setembro com indicadores considerados controlados no combate ao Aedes aegypti, mas a Vigilância em Saúde reforça que a manutenção desse cenário depende da participação da população. O município contabiliza 24 casos confirmados de dengue e outros 80 ainda em investigação.

Até o momento, não houve registro de mortes por dengue nem de casos de chikungunya na cidade. Para o diretor de Vigilância em Saúde, Adilson José Batista, os números colocam Pará de Minas entre os municípios mineiros com situação mais favorável, mas não eliminam a necessidade de cuidados permanentes.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

LIRAa registra índice de 2,1%
Outro indicador apresentado pela Vigilância em Saúde é o resultado do quarto Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) realizado neste ano. Concluído na primeira semana de setembro, o levantamento apontou índice de infestação predial de 2,1%.

Adilson explica que o objetivo agora é preservar ou reduzir esse percentual. Segundo ele, o parâmetro considerado aceitável pelo Ministério da Saúde é de até 2%. Por isso, mesmo com o resultado próximo desse limite, a eliminação dos criadouros continua sendo uma preocupação.

O diretor chama atenção especialmente para os chamados focos passíveis de remoção, encontrados em objetos e recipientes que podem acumular água. Entre os exemplos estão vasos de plantas, embalagens, latas, plásticos, vidros, caixas-d’água e recipientes utilizados para animais.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Quintais exigem atenção diária
Na avaliação de Adilson, os imóveis residenciais continuam entre os principais pontos que exigem atenção. Ele orienta os moradores a reservar alguns minutos diariamente para verificar o próprio quintal e eliminar qualquer situação que possa favorecer a reprodução do mosquito.

“Agora é a hora da população vestir realmente a camisa e ajudar o poder público”, afirmou o diretor, ao reforçar que a participação dos moradores é necessária para manter os índices sob controle.

Entre os cuidados citados está a verificação dos pratinhos de vasos de plantas, que devem receber atenção para evitar o acúmulo de água. Também é necessário observar caixas-d’água sem vedação adequada e cochos utilizados por cães, pássaros e galinhas.

Além da inspeção dos imóveis, Adilson destaca a importância de permitir o trabalho dos agentes de controle de endemias. Caso o morador não consiga receber a equipe durante a visita, a orientação é procurar a Vigilância para solicitar o agendamento de um horário.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Clima pode aumentar desafio
A chegada da primavera e, posteriormente, do verão também exige atenção redobrada. A previsão mencionada pela Vigilância aponta temperaturas acima da média e chuvas distribuídas de maneira irregular em Minas Gerais, em um cenário influenciado pelo El Niño.

Para Adilson, a combinação entre chuva e períodos de sol pode favorecer uma rápida multiplicação do mosquito. Por isso, um dos principais desafios será manter a infestação dentro do limite considerado aceitável.

“Uma vez que chove e dá sol um, dois dias, aí está o risco iminente da proliferação rápida do mosquito”, alertou.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Lixo e entulho também preocupam
O descarte inadequado de resíduos sólidos é outro fator de risco apontado pela Vigilância. Materiais abandonados próximos a residências, escolas, unidades básicas de saúde e empresas podem se transformar em recipientes para água parada.

A orientação é que os moradores mantenham os imóveis limpos, coloquem o lixo nos locais apropriados e respeitem os dias e horários estabelecidos para a coleta. Adilson também pede que a população comunique à Prefeitura situações de descarte irregular de lixo ou entulho próximas às residências.

A partir de outubro, segundo o diretor, a Vigilância em Saúde pretende reforçar as ações. A programação de mutirões de limpeza será estruturada e um novo ecoponto será utilizado para facilitar o descarte de materiais que apresentam dificuldade de armazenamento antes do encaminhamento ao aterro industrial.

Casos seguem em acompanhamento
Enquanto as ações preventivas continuam, os 80 casos de dengue que permanecem em investigação ainda dependem da conclusão das análises laboratoriais. Adilson acredita que parte dessas suspeitas poderá ser descartada, mas ressalta que somente os exames poderão confirmar o resultado.

Com 24 casos confirmados, nenhum óbito por dengue e nenhum registro de chikungunya até o momento, a Vigilância considera o quadro atual favorável. O desafio, agora, é evitar que esse cenário se altere com a mudança das condições climáticas e manter o índice de infestação próximo ou abaixo do parâmetro de 2%.

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