Leptospirose exige atenção redobrada com a chegada das chuvas

Com a aproximação do período de maior ocorrência de chuvas, a Vigilância em Saúde de Pará de Minas reforça as orientações para evitar a leptospirose, doença causada pela bactéria Leptospira, geralmente presente na urina de roedores, principalmente ratos.

O contato com água de enchentes, lama ou outros locais contaminados pode levar à transmissão. Segundo a Vigilância Epidemiológica, nenhum caso confirmado foi registrado no município entre 2022 e 2026. Em 2025, foram três notificações, todas sem confirmação. Neste ano, até o momento, dois casos foram notificados e também não confirmados.

Contato com água contaminada exige atenção
A transmissão ocorre quando a pessoa entra em contato com água ou lama contaminadas. A bactéria pode penetrar pela pele, inclusive quando não existem ferimentos aparentes, além de entrar por cortes e arranhões.

Karina Merlin explica que o risco não está restrito às grandes enchentes. A contaminação também pode ocorrer em ambientes residenciais, inclusive no quintal, caso haja contato com água ou lama contaminada.

“Ela é mais comum no período das enchentes, mas não indica que é somente”, alerta Karina, destacando que a doença pode ocorrer em outras épocas do ano.

Os sintomas podem surgir de um a 30 dias depois da exposição. Entre os sinais estão febre alta, dor de cabeça, dores musculares e articulares, dor na região da panturrilha, calafrios, náuseas e vômitos. Em situações mais graves, podem aparecer amarelamento da pele e dos olhos, sangramentos, alterações nos rins, dificuldade respiratória e comprometimento de outros órgãos.

Por isso, a relação entre os sintomas e um contato anterior com água de enchente ou lama é uma informação importante para a avaliação médica.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Tratamento deve começar rapidamente
Karina ressalta que a leptospirose possui tratamento com antibióticos e que a procura rápida por atendimento é fundamental para evitar a evolução da doença para formas mais graves.

“É muito importante que a pessoa procure o atendimento o mais rápido possível”, orienta.

Outro ponto destacado pela Vigilância Epidemiológica é que o tratamento não precisa esperar a confirmação laboratorial. Quando existe suspeita clínica, a conduta terapêutica já pode ser iniciada.

A profissional explica que, quando uma unidade de saúde identifica uma suspeita, a Vigilância Epidemiológica é comunicada. A partir daí, são adotados os protocolos necessários, incluindo o acompanhamento do caso, a realização dos exames indicados e a notificação nos sistemas oficiais.

A equipe também realiza uma investigação para tentar identificar possíveis fontes de contaminação e, quando necessário, aciona outros setores da Vigilância para medidas de controle ambiental e de vetores.

Prevenção começa dentro de casa
Para reduzir os riscos, a população deve evitar o contato direto com água de enchentes e lama. Quando esse contato for inevitável, a recomendação é utilizar botas e luvas impermeáveis e proteger cortes e arranhões com materiais que impeçam a entrada de água.

Crianças não devem brincar ou nadar em áreas atingidas por enchentes. Em imóveis afetados, a limpeza da lama deve ser feita com equipamentos de proteção, enquanto pisos, paredes e outras superfícies que tiveram contato com a água precisam ser higienizados e desinfetados.

Também é necessário evitar condições que favoreçam a presença de roedores. Isso inclui não acumular lixo e entulho, guardar corretamente os alimentos, manter caixas-d’água fechadas e vedar frestas e possíveis pontos de entrada dos animais.

Para Oscar Leitão, referência técnica do Centro de Controle de Zoonoses, o combate à doença depende de ações realizadas por diferentes áreas.

“O principal papel da vigilância em saúde é evitar o adoecimento da população”, destaca Oscar, ao explicar que esse trabalho envolve educação em saúde, controle ambiental, monitoramento de áreas e acompanhamento dos casos.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Atuação envolve diferentes setores
Segundo Oscar, a prevenção da leptospirose exige integração entre diferentes frentes. A Vigilância Epidemiológica acompanha pacientes, diagnóstico e tratamento; a Vigilância de Zoonoses atua no controle ambiental dos vetores; e a Vigilância Sanitária participa da fiscalização relacionada ao saneamento.

Outros setores, como infraestrutura e limpeza urbana, também podem contribuir para reduzir as condições que favorecem a presença de roedores.

A orientação central é impedir que esses animais encontrem dentro das residências alimento, abrigo e condições para reprodução. Oscar destaca medidas simples de organização e higiene, como manter os ambientes limpos e evitar alimentos expostos ou sem proteção.

“Não deixar alimentos expostos, destampados” é uma das medidas apontadas pelo profissional para dificultar a presença de ratos nos imóveis.

Sem casos confirmados no município
Os registros da Vigilância Epidemiológica mostram que Pará de Minas não teve casos confirmados de leptospirose entre 2022 e 2026. Apesar disso, as notificações continuam sendo investigadas sempre que há suspeita.

Karina reforça que a ausência de confirmações não elimina a necessidade de prevenção, principalmente durante períodos de chuva, quando aumenta a possibilidade de contato com água e lama potencialmente contaminadas.

A orientação é que qualquer pessoa que tenha passado por uma situação de risco e apresente sintomas compatíveis procure uma unidade de saúde e informe o contato com enchentes, lama ou água possivelmente contaminada. Essa informação pode contribuir para uma avaliação mais adequada e para o início rápido do tratamento quando houver suspeita da doença.

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