GRNEWS TV: Apostas e jogos online viram doença silenciosa e disparam atendimentos nos serviços de saúde mental em Pará de Minas

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Raianne Couto, Psicóloga e Coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial e Lucas Moreira, Médico do CAPS AD, confirmaram que o crescimento das apostas esportivas e dos jogos online deixou de ser apenas um fenômeno econômico para se tornar um desafio à saúde pública. Os especialistas revelaram que os primeiros seis meses de 2026 registraram aumento expressivo de atendimentos relacionados à dependência em apostas em Pará de Minas.

Mulheres buscam ajuda antes, homens chegam em situação mais grave
De acordo com os especialistas, o perfil dos pacientes tem chamado a atenção. Embora homens e mulheres desenvolvam o transtorno, elas costumam procurar tratamento mais cedo. Já muitos homens chegam aos serviços especializados em estágio mais avançado, acumulando dívidas, conflitos familiares, perdas patrimoniais e intenso sofrimento emocional.

Transtorno do jogo é reconhecido pela medicina
Raianne e Lucas explicaram que a dependência em apostas é uma doença oficialmente reconhecida e que o funcionamento do cérebro é semelhante ao observado nos casos de dependência de álcool e outras drogas. O comportamento evolui por três etapas: a fase da vitória, quando os primeiros ganhos estimulam novas apostas; a fase das perdas, marcada pela tentativa de recuperar o dinheiro perdido; e a fase do desespero, quando surgem graves prejuízos financeiros, emocionais e familiares.

Sinais de alerta precisam ser percebidos pela família
Os profissionais alertaram que o vício costuma evoluir de forma silenciosa, principalmente porque as apostas acontecem pelo celular. Entre os principais sinais estão isolamento, irritabilidade, mentiras frequentes, uso excessivo do telefone, pedidos de empréstimos, endividamento, alterações no sono e perda de interesse pela convivência familiar.

Também foi destacado que alguns pacientes chegam à RAPS apresentando ansiedade intensa, depressão e até ideação de autoextermínio, tornando essencial a identificação precoce e o apoio da família.

Atendimento é gratuito e sem necessidade de encaminhamento
A Rede de Atenção Psicossocial oferece atendimento de porta aberta por meio do CAPS II, CAPS AD, CAPS Infantil e da Atenção Primária. Não é necessário encaminhamento médico. Após o acolhimento, cada paciente recebe um projeto terapêutico individualizado, que pode envolver psicoterapia, acompanhamento médico, grupos terapêuticos e participação ativa da família durante todo o tratamento.

Os especialistas reforçaram que reconhecer o problema logo nos primeiros sinais aumenta significativamente as chances de recuperação e evita que a dependência provoque consequências ainda mais graves para a vida pessoal, familiar e financeira.

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