Prevenção e diagnóstico precoce de câncer poderiam salvar mais de 100 mil vidas por ano no Brasil

A luta contra o câncer no Brasil ganhou um novo e impactante diagnóstico por meio da ciência. Um estudo internacional de grande escala, publicado na prestigiada revista médica The Lancet, revela que 43,2% dos óbitos causados pela doença em solo brasileiro são evitáveis. Em números absolutos, isso significa que, das mais de 253 mil mortes projetadas no país em um ciclo de cinco anos após o diagnóstico, cerca de 109,4 mil poderiam ser impedidas com estratégias eficazes.

O levantamento, que contou com a participação de especialistas da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), divide as mortes evitáveis em dois grandes pilares. No primeiro grupo, 65,2 mil vidas seriam salvas por meio da prevenção primária, ou seja, evitando que a doença sequer se desenvolva. No segundo, 44,2 mil óbitos seriam evitados caso houvesse agilidade no diagnóstico inicial e acesso pleno a tratamentos curativos.

O peso do estilo de vida e das infecções na mortalidade
A pesquisa identifica cinco fatores de risco centrais que, se combatidos, reduziriam drasticamente a incidência de casos fatais. O tabagismo e o consumo de álcool seguem no topo da lista, acompanhados de perto pelo excesso de peso, exposição solar sem proteção (radiação ultravioleta) e infecções persistentes, como o HPV e as hepatites.

Mundialmente, o câncer de pulmão é o que mais mata por causas preveníveis, respondendo por mais de um terço desses casos. Já o câncer de mama se destaca no grupo das mortes tratáveis: 200 mil mulheres em todo o planeta morrem anualmente apenas por não conseguirem detectar o tumor nos estágios iniciais ou por enfrentarem barreiras no acesso à terapia adequada.

Desigualdade social dita as chances de sobrevivência
Os dados evidenciam um abismo entre as nações baseado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Enquanto países como a Suécia registram apenas 28,1% de mortes evitáveis, em nações de baixo desenvolvimento, como Serra Leoa, esse índice salta para alarmantes 72,8%. No Brasil, classificado como país de IDH alto, o desafio é equilibrar o acesso aos serviços de saúde para que tipos de câncer como o de colo de útero deixem de ser uma sentença de morte.

Em países com menor infraestrutura, o câncer de colo de útero é o principal responsável por mortes evitáveis, enquanto em nações ricas ele sequer figura entre os cinco mais letais. Essa disparidade é reforçada pelas taxas de mortalidade: em locais com IDH muito alto, são 3,3 mortes a cada 100 mil mulheres; nos locais de IDH baixo, a taxa quintuplica para 16,3.

Estratégias para transformar as estatísticas em vida
Para os pesquisadores, a solução passa por políticas públicas incisivas e mudanças estruturais na saúde. Entre as recomendações principais, destacam-se:

Controle de substâncias: Aumento de impostos e restrição de publicidade para tabaco, álcool e alimentos ultraprocessados.

Imunização em massa: Ampliação da vacinação contra o HPV e hepatites para prevenir infecções cancerígenas.

Metas de agilidade: Garantir que 60% dos casos de câncer de mama sejam detectados nos estágios 1 ou 2, com início de tratamento em até 60 dias após a consulta inicial.

No Brasil, órgãos como o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) intensificam campanhas de conscientização, mas o estudo reforça que a redução das desigualdades no atendimento é o caminho definitivo para que o câncer deixe de ser, em tantos casos, uma morte que poderia não ter acontecido. Com informações da Agência Brasil

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