Saúde mental: um em cada dez agentes penitenciários brasileiros sofre com depressão
Um levantamento recente realizado com mais de 22,7 mil agentes penitenciários em todo o Brasil revelou o alto custo psicológico da profissão. De acordo com a pesquisa, pelo menos 10,7% dos profissionais do sistema prisional tiveram diagnóstico de depressão, evidenciando os desafios intensos enfrentados por essa categoria, muitas vezes invisibilizada.
Os dados, divulgados nesta semana pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), fazem parte do estudo Cenários da Saúde Física e Mental dos Servidores do Sistema Penitenciário Brasileiro.
Transtornos de ansiedade e pânico
O panorama de saúde mental é ainda mais amplo, com outros transtornos comuns relatados pelos servidores:
20,6% afirmaram ter diagnóstico de transtorno de ansiedade;
4,2% relataram transtorno de pânico.
Os organizadores da pesquisa reconhecem que o ritmo intenso de trabalho e as exigências emocionais e físicas inerentes à função de gerenciar a segurança penitenciária contribuem para esses resultados preocupantes.
Contradição entre satisfação no trabalho e reconhecimento social
Apesar da alta incidência de problemas de saúde mental, o levantamento mostra que a maioria dos servidores está satisfeita com o trabalho que desenvolve: 15,9% se declaram “muito satisfeitos” e 59,3% se dizem apenas “satisfeitos” com suas atividades.
Contudo, essa satisfação interna contrasta fortemente com a percepção de reconhecimento externo:
50,7% dos agentes penitenciários acreditam que a sociedade “poucas vezes” reconhece o valor de seu trabalho.
33% afirmam “nunca” se sentir reconhecidos.
Preocupação com a saúde física
Além dos desafios mentais, o estudo destacou problemas de saúde física que afetam a categoria:
Hipertensão: 18,1% dos servidores.
Obesidade: 12,5% dos servidores.
Doenças ortopédicas: 12,3% dos casos.
Diante desse diagnóstico, o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, ressaltou a urgência de implementar políticas estruturadas de cuidado para a categoria, cujas necessidades teriam sido historicamente ignoradas, apesar de sustentarem uma estrutura essencial para a segurança pública.
“A partir deste diagnóstico, consolidamos um compromisso: aprimorar as ações já iniciadas, ampliar o cuidado e garantir que cada servidor tenha as condições necessárias para exercer sua função com dignidade e qualidade”, afirmou o secretário.
O diretor de Políticas Penitenciárias, Sandro Abel Sousa Barradas, reforçou a necessidade de implementar políticas de cuidado que tragam impacto direto no bem-estar, na valorização e no desempenho dos mais de 100 mil servidores penitenciários do país. Com informações da Agência Brasil
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