Morte causadas por policiais militares aumentaram mais de 35% no estado de São Paulo
O cenário da segurança pública em São Paulo revela um aumento significativo na violência institucional nos primeiros meses de 2026. De acordo com um levantamento realizado com base em dados do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o número de civis mortos por policiais militares em serviço cresceu 35,5% no primeiro bimestre deste ano. O total de óbitos subiu de 76, registrados no mesmo período do ano passado, para 103 vítimas confirmadas.
Os indicadores, compilados pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), refletem as informações repassadas pelas próprias corporações Civil e Militar, conforme as normas vigentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Especialistas alertam para os riscos da violência estatal
Para o advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, os números representam uma ameaça à própria sociedade. Segundo ele, uma força policial que prioriza o confronto letal em detrimento da prevenção e da investigação gera um ambiente de insegurança para todos os cidadãos.
Alves destaca que essa tendência de alta contrasta com o período entre 2019 e 2022, quando o estado registrou uma queda de 63,6% nas mortes decorrentes de intervenção policial. Desde o início da gestão de Tarcísio de Freitas, em 2023, o gráfico inverteu a tendência, apresentando aumentos anuais consecutivos que culminaram em 653 mortes em 2024 e 703 em 2025.
Fatores políticos e sociais da escalada
A análise crítica aponta que a postura da atual gestão em relação aos mecanismos de controle, como a Ouvidoria da Polícia e o uso de câmeras corporais, contribuiu para o cenário atual. O advogado ressalta ainda que o impacto dessa violência é seletivo, atingindo majoritariamente jovens negros e moradores de áreas periféricas, o que configura, em sua visão, um retrocesso nos direitos humanos.
Secretaria de Segurança defende o combate ao crime organizado
Em resposta aos dados, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) argumentou que o aumento nos números é reflexo de um enfrentamento mais intenso contra a criminalidade organizada e operações de alta complexidade. A pasta assegura que todas as ocorrências com mortes são investigadas com rigor e acompanhadas pelas corregedorias e pelo Poder Judiciário.
A secretaria também informou que, desde 2023, mais de 1,3 mil agentes sofreram sanções graves, como prisões ou demissões. O órgão destacou investimentos em tecnologia, revisão de protocolos e a expansão do sistema de câmeras operacionais portáteis como medidas para garantir a transparência e reduzir a letalidade nas ações de patrulhamento. Com informações da Agência Brasil
Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.


