Mercado automotivo inicia 2026 com sinais mistos e avanço nas motocicletas
O setor automotivo brasileiro abriu o ano de 2026 apresentando um cenário de contrastes. De acordo com os dados mais recentes da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o mercado total — que engloba desde carros de passeio até implementos rodoviários — registrou uma alta de 7,42% em janeiro quando comparado ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram licenciadas mais de 366 mil unidades, um resultado considerado positivo pela entidade, especialmente pelo fato de o mês ter contado com um dia útil a menos.
Contudo, quando o recorte foca apenas em veículos novos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), houve uma leve oscilação negativa de 0,38% na comparação anual, somando 170,5 mil unidades. Em relação ao mês de dezembro, a retração foi mais acentuada, atingindo quase 39%, movimento que os especialistas classificam como tradicional devido às férias e ao arrefecimento econômico típico de início de ano.
Motocicletas impulsionam o crescimento do setor
O grande destaque do primeiro mês do ano foi, novamente, o segmento de motocicletas. Com um salto de 17,49% em relação a janeiro de 2025, as duas rodas continuam a ganhar espaço nas ruas brasileiras. Segundo a Fenabrave, esse fenômeno é impulsionado por dois pilares: a consolidação dos serviços de entrega (delivery) e a busca por meios de transporte individuais mais econômicos.
Além da mudança de comportamento do consumidor, as facilidades financeiras, como o uso crescente de consórcios, têm facilitado o acesso a esses veículos. O setor de motocicletas demonstra uma trajetória de expansão consistente, destoando da volatilidade vista em categorias de maior valor agregado.
Desafios no crédito e a expectativa para os pesados
Apesar da base de vendas considerada sólida para 2026, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, alerta que as altas taxas de juros ainda representam um obstáculo para o pleno desenvolvimento do mercado. O acesso ao crédito permanece restrito, afetando principalmente os segmentos de maior porte.
No caso dos caminhões, a queda foi severa, registrando um recuo de 34,67% na comparação anual. O setor de pesados ainda aguarda os reflexos práticos do programa federal “Move Brasil”. A expectativa é que, nos próximos meses, a liberação de crédito prometida pelo programa estimule a renovação de frotas, impactando especialmente os caminhões pesados, que compõem quase metade do mercado nacional.
Estabilidade nos automóveis e veículos leves
Para quem busca carros de passeio e comerciais leves, o clima é de estabilidade. O segmento registrou um crescimento tímido de 1,64% em relação a janeiro do ano anterior. Embora os números mostrem resiliência na demanda, o volume total de vendas segue altamente sensível às condições de financiamento oferecidas pelas instituições bancárias. Com informações da Agência Brasil

