Nem prefeito nem maioria dos vereadores apoiaram candidatos de Pará de Minas, diz presidente da Câmara

Reunião da Câmara foi tranquila

A 34ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Pará de Minas, realizada ontem (06), transcorreu sem grandes discussões. Segundo o presidente do Legislativo, Geraldo Magela de Almeida, o Geraldinho Cuíca, foram analisados nove requerimentos, duas moções e dois projetos.

Um dos projetos havia recebido pedido de vista na semana anterior e acabou aprovado por unanimidade, com 14 votos favoráveis. Também foi aprovado um decreto legislativo referente às contas da gestão municipal de 2022. Conforme explicou Geraldinho, o Tribunal de Contas encaminha esse tipo de processo ao Legislativo para apreciação, sendo necessária a aprovação por dois terços dos vereadores, o que aconteceu.

Os pronunciamentos na tribuna também ocorreram de forma tranquila e abordaram principalmente posicionamentos pessoais relacionados às eleições e à representatividade política do município:

Geraldinho Cuíca
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Município novamente não elege representantes
A avaliação do presidente da Câmara ganhou destaque ao abordar o resultado das eleições e o fato de Pará de Minas, mais uma vez, não ter elegido representantes para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais ou para a Câmara dos Deputados.

Para Geraldinho, a ausência de representantes locais exige uma análise sobre a maneira como o município organiza seus apoios políticos durante os períodos eleitorais. Ele observou que a situação não se restringe à atual legislatura e afirmou que, historicamente, vereadores acabam apoiando candidatos de outras cidades, enquanto nomes de Pará de Minas ficam sem o mesmo respaldo.

“Cada um busca um deputado de fora e o daqui fica sem apoio nenhum”, afirmou.

Na avaliação do presidente, sem uma convergência em torno de candidatos locais, torna-se difícil alcançar uma representação própria do município no Legislativo estadual ou federal.

Polarização também entrou na avaliação
Geraldinho apontou ainda a polarização entre PL e PT como outro fator que, na visão dele, influenciou o comportamento dos eleitores. Segundo o vereador, durante a votação foi possível perceber pessoas seguindo listas eleitorais concentradas em candidatos vinculados às duas siglas.

Ele ressaltou que sua observação não representa oposição a nenhum dos partidos e defendeu que o município seja colocado como prioridade na escolha dos representantes.

Para o presidente da Câmara, vereadores, Prefeitura e secretarias precisam fazer uma reflexão conjunta sobre o assunto. Ele também destacou que o prefeito Inácio Franco não apoiou candidatos de Pará de Minas e, segundo sua avaliação, o prefeito não conseguiu transferir votos para os nomes apoiados por ele:

Geraldinho Cuíca
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Representatividade é apontada como necessária
Geraldinho relacionou a falta de deputados do município a dificuldades para viabilizar projetos de maior porte. Como exemplo, citou a necessidade de melhorias no trevo e no anel rodoviário, temas também mencionados durante pronunciamento de Délio Alves Ferreira na tribuna.

Na avaliação do presidente, obras dessa dimensão exigem recursos muito superiores aos valores normalmente destinados por meio de emendas parlamentares individuais. Ele argumentou que um anel rodoviário envolve, entre outras necessidades, desapropriações e articulação com municípios vizinhos, o que demandaria uma atuação política mais ampla.

“Você acha que um prefeito consegue fazer um anel rodoviário com um deputado mandando 300 mil, 400 mil? Não”, afirmou Geraldinho.

O vereador também citou que o deputado mais votado na eleição anterior teria destinado cerca de R$ 200 mil ao município ao longo de quatro anos, valor que ele considera muito pequeno diante das necessidades de Pará de Minas.

Apoio eleitoral precisa resultar em compromisso
Geraldinho defendeu que os representantes eleitos com votos do município mantenham uma relação mais próxima com Pará de Minas e deem atenção às demandas locais. Ele sugeriu que o prefeito procure o deputado mais votado na eleição anterior, assim como os vereadores que o apoiaram, para estabelecer uma agenda de compromissos com a cidade.

O presidente reconheceu a capacidade do parlamentar, mas ponderou que um deputado com votação espalhada por diferentes municípios precisa dividir sua atuação entre várias regiões.

“Ele não dá conta de atender a cidade porque ele foi votado”, afirmou, acrescentando que Pará de Minas precisa avaliar se continuará dependendo exclusivamente de representantes de outras localidades.

Resultado reacende debate sobre candidatos locais
Geraldinho também citou o desempenho de candidatos ligados ao município. Segundo ele, Daniel Barbosa obteve mais de 31,5 mil votos, mas não conseguiu a eleição para deputado federal. Lembra que o pai dele, o saudoso Eduardo Barbosa, por sua vez, recebia mais de 25 mil votos na cidade e, conforme a avaliação apresentada pelo vereador, Daniel alcançou cerca de 6 mil votos em Pará de Minas.

Ele mencionou ainda o exemplo de Florestal onde foram feitos muitos investimentos através do saudoso Eduardo Barbosa, mas a cidade não apoiou o filho dele Daniel Barbosa. Geraldinho também lembra de uma declaração do ex-prefeito Antônio Júlio de Faria: “O povo não vota na gratidão, o povo vota é na esperança”.

Na avaliação de Geraldinho, o resultado demonstra que não basta conquistar recursos ou estabelecer relações políticas; também é necessário construir expectativa e confiança junto ao eleitorado:

Geraldinho Cuíca
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O presidente encerrou sua análise defendendo que Pará de Minas reflita sobre a estratégia adotada nas eleições e sobre a possibilidade de concentrar apoio em candidatos da própria cidade. Para ele, a representatividade política é fundamental para ampliar a capacidade de articulação do município e buscar recursos para demandas que ultrapassam a capacidade financeira da administração local.

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