Casa de Cultura de Pará de Minas será reformada para preservar patrimônio centenário. Obra custará mais de R$ 623 mil

O Portal GRNEWS apurou que a Prefeitura de Pará de Minas abriu licitação para contratar a empresa que ficará responsável pela reforma da Casa da Cultura, um dos imóveis históricos mais importantes do município. O investimento previsto é de R$ 623.841,75, destinado à recuperação de diversos elementos estruturais da edificação tombada, garantindo sua preservação e a continuidade das atividades culturais realizadas no local.

A concorrência eletrônica será realizada com julgamento pelo menor preço global. As propostas poderão ser apresentadas até as 9h do dia 15 de julho de 2026. A abertura da sessão pública está marcada para 9h10, com início da fase de lances às 9h15, por meio da plataforma da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBMNet).

Patrimônio histórico completa 102 anos em 2026
Conhecida como Casa de Cultura de Pará de Minas, a edificação foi construída entre 1922 e 1924 e completa 102 anos em 2026.

O imóvel está localizado na Praça Torquato de Almeida, no Centro da cidade, possui área de 1.086,44 metros quadrados e é protegido pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural desde 1998, por meio de tombamento que reconhece sua importância histórica, arquitetônica, cultural e afetiva para o município.

Segundo o Projeto Básico, a preservação do prédio é uma obrigação do poder público para evitar a perda de características originais e assegurar que o patrimônio seja mantido para as futuras gerações.

Problemas estruturais exigem intervenção imediata
O documento técnico aponta que a última intervenção significativa na edificação ocorreu em 2015. Desde então, os danos provocados pelo tempo e pela ação das intempéries evoluíram consideravelmente.

Entre os principais problemas identificados estão infiltrações provocadas pelo comprometimento da cobertura e do sistema de escoamento das águas pluviais.

O telhado, composto por telhas cerâmicas francesas, apresenta diversas peças quebradas e elevado desgaste, comprometendo a vedação da estrutura e permitindo a entrada constante de água.

Além disso, calhas e rufos apresentam oxidação e perfurações, impedindo o correto escoamento da chuva.

Outro ponto de preocupação é o madeiramento estrutural, que sofreu deterioração em razão da umidade acumulada ao longo dos anos e da infestação de térmitas, comprometendo a integridade da cobertura.

Infiltrações já causam danos internos
O Projeto Básico destaca que os problemas não se limitam ao telhado.

As infiltrações vêm atingindo forros, instalações elétricas, elementos de madeira e, principalmente, o piso da edificação.

O assoalho apresenta manchas, empenamentos e fissuras decorrentes da exposição contínua à umidade, situação que afeta tanto a conservação do patrimônio quanto a segurança dos frequentadores.

Também foram identificados problemas no átrio central, cuja estrutura em alumínio e vidro apresenta falhas de vedação, infiltrações, vidros danificados e deficiência na ventilação.

Segundo o estudo técnico, essas condições favorecem o efeito estufa no ambiente, reduzem o conforto térmico e aceleram a deterioração da construção.

Reforma pretende preservar patrimônio e garantir funcionamento do espaço cultural
A obra prevê intervenções voltadas à recuperação da cobertura, substituição e revitalização do sistema de drenagem, recuperação do piso de madeira e melhorias no átrio central.

O objetivo é eliminar as causas das infiltrações, preservar os elementos históricos da construção, ampliar a segurança dos usuários e garantir melhores condições para o funcionamento das atividades culturais, educativas, administrativas e institucionais realizadas no imóvel.

A Prefeitura ressalta que adiar a execução dos serviços poderá provocar o agravamento dos danos estruturais, aumentar os custos futuros de recuperação e colocar em risco características históricas consideradas insubstituíveis.

Recursos estaduais e municipais vão financiar a obra
Do total previsto para a reforma, R$ 450 mil serão provenientes do Edital FEC 07/2025 – Restaura Minas, do Fundo Estadual de Cultura.

O restante dos recursos será complementado com verbas próprias do Município.

A aprovação do projeto pelo programa estadual reforça o reconhecimento da relevância histórica da Casa de Cultura e da necessidade de preservar um dos principais patrimônios arquitetônicos e culturais de Pará de Minas.

Após a emissão da Ordem de Serviço, a empresa vencedora terá prazo de três meses para executar a reforma.

Sobre a Casa da Cultura
O prédio do antigo Grande Hotel, inaugurado em 1924, foi construído por Amedeo Celso Grassi, através da Companhia Melhoramentos de Pará de Minas, numa Inciativa de Torquato Alves de Almeida, Agente Executivo do Município de 1912 a 1922.

Recebeu várias autoridades como o Presidente do Estado de Minas Gerais Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, em 1928, e o Governador Milton Campos, em 1949. Seu funcionamento ficou aquém do esperado sendo o Grande Hotel fechado em 1928.

Em 1929, o Estado adquiriu o prédio e cedeu-o para vários usos: Ginásio Paraense, São Geraldo, São Francisco, 1ª Exposição Agroindustrial, Colégio Comercial e Estação Rodoviária, entre outros.

Em 1984, já em lastimável estado de conservação, o Estado doou o prédio para a municipalidade.

As obras de restauração iniciaram-se em 1986. Em 1993, na gestão do ex-prefeito Silésio Mendonça (in memorian), o prédio foi reinaugurado como Casa da Cultura. Em 1998, foi tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Pará de Minas.

O prédio da Casa da Cultura passou por outra reforma no ano de 2015, na gestão do ex-prefeito Antônio Júlio de Faria.

Prédio centenário e imponente da Casa da Cultura tem dois nomes oficiais previstos em leis municipais
O Portal GRNEWS apurou que o imóvel imponente tombado como Prédio Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, conforme Lei Municipal, de 12 de junho de 1991, aprovada pela Câmara Municipal. O Projeto de Lei nº 14/1991 foi encaminhado pelo então prefeito José Porfírio de Oliveira (in memoriam) criando o Centro Interescolar de Apoio ao Ensino Fundamental de Pará de Minas (CIEF), que compreendia os órgãos educacionais, como a Biblioteca Pública Municipal Professor Mello Cançado, o Núcleo de Aperfeiçoamento de Professores de Pará de Minas (NAPP). O projeto foi aprovado cum uma emenda do então vereador Adão de Abreu e Silva, que mudou o artigo 2º do projeto, denominando o imóvel como Prédio Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira. Esta emenda teve placar empatado em 5 a 5, e o desempate coube presidente da Mesa Diretora, pela aprovação do projeto em 27 de maio de 1991.

A reportagem do Portal GRNEWS apurou também que, posteriormente, recebeu o nome de Centro Cultural Deputado Antônio Júlio de Faria, Lei Municipal 3.788, de 27 de junho de 2000, sancionada pelo então prefeito Eli Pinto de Faria, o Tilili. Essa denominação foi aprovada em primeira e segunda votações por 12 votos a 0 pelos vereadores que compunham a câmara Municipal em 12 de junho de 2000. O Projeto de Lei nº 31/2000 é de autoria do Executivo Municipal  proposto pelo ex-prefeito Eli Pinto de Faria. As duas leis municipais estão vigentes.

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