Preocupação com bronquiolite e vírus sincicial aumenta entre gestantes
Avanços na informação sobre imunização e riscos da bronquiolite
A compreensão acerca do vírus sincicial respiratório (VSR), da bronquiolite e da dinâmica de imunização apresenta avanços contínuos no Brasil desde o ano de 2024, conforme aponta um levantamento realizado com gestantes em todas as unidades da Federação.
Os indicadores, apurados pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipsos-Ipec) a pedido da fabricante Pfizer, que fornece o imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS), revelam progresso no entendimento referente à vacinação na gestação. O destaque mais expressivo refere-se ao conhecimento sobre a possibilidade de se imunizar contra a bronquiolite ainda no período gestacional.
No intervalo analisado, o índice de grávidas que declaram conhecer ou que já ouviram menções sobre o vírus respiratório subiu de 58% para 70%.
A sondagem consultou 530 gestantes brasileiras com idades entre 18 e 45 anos. Do total de participantes, 79% exibiram ao menos uma dúvida ou interpretação imprecisa quanto ao tema, enquanto apenas 13% responderam de forma correta a todas as afirmações submetidas à avaliação.
De acordo com a médica Adriana Ribeiro, os levantamentos por região indicam que o nível de conscientização registrou evolução tanto no Sudeste quanto nas regiões Norte e Centro-Oeste, embora em aspectos distintos.
Na Região Sudeste, o avanço sobressai no conhecimento direto sobre o vírus, onde 74% das gestantes afirmam conhecer ou já ter ouvido falar sobre o VSR, representando um acréscimo de 21 pontos percentuais em comparação com 2024. A bronquiolite também passou a figurar entre as enfermidades de maior apreensão, saltando de 40% para 55% de menções.
Cobertura vacinal e papel do acompanhamento pré-natal
Nas regiões Norte e Centro-Oeste do país, a percepção sobre a enfermidade registrou elevação de 12% para 47%. Adicionalmente, metade das gestantes nessas localidades já reconhece a gravidade potencial da bronquiolite, número que representa o dobro do apurado em 2024.
A médica Adriana Ribeiro destaca que a cobertura nacional entre o público gestante situa-se em torno de 84%, embora existam estados operando abaixo do patamar de 80%, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e diferentes unidades federativas do Norte. Além disso, 46% das gestantes no Sudeste e 38% no Norte e Centro-Oeste desconhecem a disponibilidade de prevenção contra o VSR na rede pública. O acompanhamento pré-natal é apontado pela médica como o momento decisivo para suprir essa lacuna informativa.
A oferta da imunização contra o VSR é recente, tendo obtido aprovação no país em 2024 e integração efetiva ao SUS em dezembro de 2025. As ocorrências de bronquiolite infantil figuram entre as principais causas de internação por quadro infeccioso em crianças com menos de três anos e em idosos. Registros recentes de surtos, inclusive após o período pandêmico da Covid-19, mantêm em alerta familiares e gestores da saúde.
A pesquisa revelou que a bronquiolite é vista como a principal infecção contagiosa na preocupação das gestantes, sendo apontada por 60% das entrevistadas, ante os 40% apurados em 2024. Em outro tópico avaliado, 46% compreendem que a condição pode evoluir de forma grave, trazendo riscos de internação e óbito, especialmente para recém-nascidos e idosos.
Evolução no entendimento e orientação médica
O estudo do Ipsos-Ipec sinaliza ainda evolução no conhecimento geral sobre a imunização gestacional. No ano de 2026, 72% das entrevistadas relatam saber da existência de um calendário vacinal próprio para gestantes, contra 58% em 2024.
Apesar dos avanços, 25% ainda acreditam que devem acompanhar unicamente a tabela de vacinação correspondente à sua faixa etária, sem compreender a lógica de transferência de proteção da mãe para o bebê. Somado a isso, 31% das pesquisadas ainda não identificam que determinadas vacinas indicadas na gestação colaboram para a proteção da criança.
No Norte e Centro-Oeste, quase a totalidade das gestantes já ouviu falar da bronquiolite, estando em fase de consolidação a associação entre o vírus, a doença e a sua severidade. No Sudeste, subiu de 33% para 43% a parcela que reconhece os riscos de hospitalização e morte. Já no Norte e Centro-Oeste, 40% vinculam a bronquiolite ao VSR, avanço de 11 pontos frente a 2024. Adriana Ribeiro pondera que ouvir sobre a doença, conhecer o agente viral e entender a relação mútua correspondem a fases distintas do processo de conscientização.
Por fim, o levantamento indica crescimento na orientação prestada pelos profissionais de saúde: 88% das gestantes afirmam ter recebido indicação médica para se vacinar durante a gravidez, contra 77% em 2024.
Entre as que receberam a orientação médica, 96% declaram que cumprem ou pretendem cumprir a recomendação. Além disso, 71% informam seguir integralmente as instruções fornecidas ao longo do acompanhamento pré-natal. Com informações da Agência Brasil.

