Passagem de ônibus sobe para R$ 5,50 em Pará de Minas e pesará no bolso das famílias; prefeitura justifica reajuste

Novo valor começa a valer em 1º de novembro

A passagem do transporte coletivo urbano de Pará de Minas passará de R$ 5,00 para R$ 5,50 a partir da zero hora de domingo, 1º de novembro de 2026. O reajuste foi oficializado pelo Decreto nº 14.594/2026, assinado pelo prefeito Inácio Franco e pela procuradora-geral do município, Débora Faria de Castro, em 28 de outubro.

O transporte coletivo urbano de Pará de Minas é alvo de críticas dos usuários e agentes políticos há muitos anos. A qualidade do serviço é muito questionada e foi alvo de novas discussões recentes no plenário da Câmara Municipal, quando vários parlamentares destacaram a necessidade de a prefeitura, responsável pela fiscalização do serviço, buscar alternativas para minimizar as muitas dificuldades de quem precisa usar os ônibus do transporte coletivo urbano. Mas, ao contrário disso, a prefeitura surpreendeu e autorizou novo aumento na passagem.

O aumento de R$ 0,50 representa uma elevação de 10% sobre a tarifa atual. Segundo a Prefeitura, o novo valor fixado em R$ 5,50 foi definido após negociações com a empresa concessionária, que havia solicitado judicialmente um reajuste para R$ 6,55.

Prefeitura aponta dificuldades financeiras
Apesar de ter assinado o decreto autorizando o aumento da passagem para R$ 5,50, não foi o prefeito Inácio Franco quem deu a notícia para a população de Pará de Minas. A tarefa coube ao secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Marcos Vinícius de Oliveira Santos. Ele explicou que o transporte coletivo enfrenta dificuldades de sustentabilidade financeira em diversas cidades brasileiras. Segundo ele, a situação econômica de Pará de Minas não permite que o município subsidie o serviço para reduzir o custo aos passageiros.

O secretário afirmou que a administração negocia com a concessionária desde o início do mandato para conciliar as condições financeiras da empresa com a continuidade do atendimento à população. O acordo estabeleceu a tarifa em R$ 5,50, abaixo do valor solicitado pela operadora.

Linhas devem continuar funcionando
De acordo com o secretário, o reajuste busca manter o transporte coletivo em operação sem redução das linhas atendidas. A Prefeitura informou ainda que continuará fiscalizando o cumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão.

O decreto determina ampla divulgação do novo preço no site oficial do município, dentro dos ônibus e nos meios de comunicação locais. A Câmara Municipal também deverá ser oficialmente comunicada sobre a alteração.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Créditos eletrônicos terão prazo de transição
Os créditos do sistema de bilhetagem eletrônica adquiridos antes da entrada em vigor da nova tarifa poderão ser utilizados por mais 30 dias sem a atualização do valor. A medida está prevista no decreto municipal:

Marcos Vinícius de Oliveira Santos
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Reajuste anterior completa um ano
O reajuste anterior havia elevado a passagem de R$ 4,40 para R$ 5,00, em outubro de 2025. Agora, os usuários terão novo aumento no custo do deslocamento diário.

Por ocasião do reajuste concedido em outubro do ano passado, durante a reunião da Câmara Municipal de Pará de Minas, realizada em 28 de outubro de 2025, o então presidente da Casa Legislativa, vereador Délio Alves Ferreira, comentou sobre o aumento da tarifa do transporte coletivo urbano e revelou bastidores da decisão. Segundo ele, o prefeito Inácio Franco só autorizou o reajuste — que elevou o valor da passagem de R$ 4,40 para R$ 5,00 — após a concessionária responsável pelo serviço ameaçar romper o contrato e abandonar o município.

Délio Alves Ferreira contou que o prefeito relatou ter passado por uma reunião “muito dura e tensa” com representantes da empresa, que alegaram não ter condições financeiras de continuar operando com a tarifa anterior. “A empresa entregou o contrato e disse que, sem reajuste ou subsídio, encerraria as atividades em Pará de Minas. O prefeito, sem alternativa e sem recursos para arcar com o subsídio, acabou autorizando o aumento. Foi uma decisão difícil, mas necessária para não deixar a cidade sem transporte”, explicou o vereador.

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