Quem cuida da população também precisa ser cuidado

Projeto amplia ações de valorização dos agentes

O mês de outubro ganhou uma programação especial em Pará de Minas para reconhecer o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE). A iniciativa “O Agente no Caminho do Cuidado” foi criada pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, em referência ao Dia Nacional dessas categorias, celebrado em 4 de outubro.

Ao longo do mês, os profissionais participarão de atividades voltadas à saúde física e mental, integração, troca de experiências e valorização do trabalho realizado diariamente nos territórios. A proposta também pretende abrir espaço para que os próprios agentes sejam ouvidos sobre as dificuldades e necessidades encontradas durante a atuação junto à população.

A abertura ocorreu na sexta-feira, 2 de outubro, na Câmara Municipal, reunindo Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Combate às Endemias, autoridades e servidores da Secretaria Municipal de Saúde.

Trabalho começa dentro das comunidades
Os Agentes Comunitários de Saúde têm atuação diretamente relacionada à Atenção Primária. Por meio das visitas domiciliares e do acompanhamento das famílias, esses profissionais mantêm contato próximo com os moradores, orientam sobre cuidados e ajudam as equipes das Unidades Básicas de Saúde a compreender as necessidades de cada território.

Já os Agentes de Combate às Endemias concentram parte importante do trabalho na prevenção e controle de doenças transmitidas por vetores. As atividades incluem inspeções em imóveis, identificação e eliminação de possíveis criadouros, orientação aos moradores e ações relacionadas à prevenção de doenças como dengue, chikungunya e outras arboviroses.

A integração entre as duas categorias amplia a capacidade de identificar problemas e desenvolver ações preventivas nas comunidades. Para além das atividades de campo, os profissionais estabelecem vínculos com moradores e acompanham situações que muitas vezes não chegam aos serviços de saúde da mesma maneira.

A importância dessas categorias também ganhou respaldo na legislação. A Emenda Constitucional nº 120, de 2022, estabeleceu a responsabilidade financeira da União pela política remuneratória e pela valorização dos ACS e ACE. Em 2023, a Lei nº 14.536 reconheceu os dois grupos como profissionais de saúde.

Projeto quer ouvir quem está na ponta
Mateus Henrique Silva de Paula, Diretor de Atenção Básica/Atenção Primária à Saúde (APS), explicou que o projeto nasceu a partir de uma proposta da área de Vigilância em Saúde para aproximar os trabalhos desenvolvidos pelas equipes.

Segundo ele, a programação durante outubro terá reuniões, rodas de conversa e outras atividades para permitir que os agentes apresentem as principais demandas observadas nos territórios. A intenção também é estimular uma maior integração entre profissionais de diferentes equipes.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Mateus destaca que ouvir os servidores é essencial para compreender a realidade de cada unidade. Para ele, a experiência cotidiana dos agentes oferece informações importantes sobre as necessidades específicas das comunidades atendidas.

As atividades serão distribuídas ao longo do mês e terminarão em 29 de outubro, quando está previsto um dia inteiro de encerramento dedicado aos profissionais. Mesmo durante a programação, os agentes continuarão acompanhando normalmente os respectivos territórios.

Experiências ajudam a compreender desafios
A programação de abertura contou ainda com uma palestra de Lucimar Rodrigues, Agente Comunitária de Saúde, presidente da FACS-ACE/MG, coordenadora da Saúde do Trabalhador no Sindibel, diretora da Fesempre e integrante da CISTT/BH.

Lucimar ressaltou que os ACS e ACE ocupam uma posição estratégica no Sistema Único de Saúde por fazerem a ligação entre as equipes de saúde da família e as comunidades. Na avaliação dela, o contato permanente com os moradores permite que os profissionais participem diretamente das ações de promoção da saúde e prevenção de doenças.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Ela também chamou atenção para uma dimensão menos visível do trabalho. Além dos materiais utilizados nas atividades de campo, os agentes carregam diariamente preocupações, frustrações e dificuldades relacionadas às demandas encontradas nas comunidades. Segundo Lucimar, muitas vezes há mais necessidades do que possibilidades de resposta imediata.

A proposta da palestra, conforme explicou, foi justamente contribuir para que os profissionais se sintam mais leves no cotidiano, além de promover troca de experiências entre a realidade dos agentes de Belo Horizonte, Pará de Minas e outros municípios mineiros.

Para ela, a iniciativa desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde representa uma oportunidade de reconhecimento para os trabalhadores.

Valorização também envolve ouvir os profissionais
O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luiz Lima, destacou que a programação foi pensada para colocar os agentes no centro das discussões. Segundo ele, são profissionais que percorrem as ruas, entram nas casas e acompanham pessoas em diferentes momentos da vida, incluindo gestantes, idosos e crianças.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Luiz Lima afirmou que o projeto pretende identificar fragilidades enfrentadas pelos trabalhadores e, a partir dessa escuta, buscar condições que contribuam para a valorização e a melhoria do ambiente de trabalho.

Na avaliação do secretário, reconhecer quem atua diariamente na promoção e prevenção da saúde também representa uma forma de discutir a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Vínculo com moradores é parte do trabalho
A Agente Comunitária de Saúde Camila Dionísio Rodrigues reforçou a função dos ACS como ligação entre a comunidade e as Unidades Básicas de Saúde. Para ela, o profissional leva às famílias ações de cuidado, prevenção e promoção da saúde, funcionando como uma ponte entre os moradores e os serviços.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Camila também demonstrou entusiasmo com o formato da programação. Ela contou que pretende participar das atividades previstas, incluindo a competição de queimada e o concurso fotográfico, e avaliou que a proposta trouxe uma experiência diferente daquela vivenciada pelos profissionais em anos anteriores.

A agente afirmou ainda que a reação inicial dos colegas foi positiva e que a programação criou expectativa entre os trabalhadores para as atividades previstas durante outubro.

Juliana Ribeiro Diniz, também Agente Comunitária de Saúde, destacou outro aspecto da profissão: a proximidade construída dentro das residências.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Segundo ela, enquanto o atendimento em consultório possui uma dinâmica mais objetiva, o agente entra no ambiente familiar, acolhe os moradores e estabelece uma relação mais próxima e pessoal. Juliana, que está há quase cinco anos na função, também considerou diferente a proposta de manter atividades de valorização durante todo o mês e afirmou que isso despertou grande expectativa entre os profissionais.

Prevenção da dengue continua entre os desafios
Para os Agentes de Combate às Endemias, uma das principais preocupações permanece relacionada à prevenção da dengue. Natália Melo explicou que o período de chuvas aumenta a necessidade de atenção aos possíveis criadouros do Aedes aegypti.

A agente relatou que um dos obstáculos encontrados no cotidiano é conseguir a colaboração de alguns moradores, tanto para permitir a entrada dos profissionais nos imóveis quanto para manter quintais e recipientes adequadamente cuidados. Ela citou, como exemplo, plantas que acumulam água e exigem atenção constante para evitar a proliferação do mosquito.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Natália lembrou ainda que a atuação dos ACE não se limita à dengue. Os profissionais também desenvolvem ações em conjunto com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e participam de outras iniciativas de prevenção, incluindo atividades relacionadas à vacinação. Ela mencionou, nesse contexto, a campanha de vacinação antirrábica realizada no mês anterior.

Mesmo diante das dificuldades, a agente defendeu a continuidade do trabalho de orientação e conscientização da população sobre os riscos associados ao Aedes aegypti. Para ela, o objetivo é chegar a um cenário em que os casos de dengue sejam cada vez menos frequentes.

Concurso fotográfico integra programação
Além das reuniões, rodas de conversa e atividades de integração, o projeto prevê um concurso de fotografia. Os próprios agentes poderão registrar, por meio de imagens, situações e momentos relacionados à rotina profissional.

A fotografia vencedora receberá uma premiação. A iniciativa amplia a participação dos trabalhadores na programação e permite que diferentes aspectos do cotidiano dos agentes sejam apresentados por meio do olhar de quem vivencia diretamente esse trabalho.

Natália também avaliou que ações desse tipo ajudam os profissionais a sair temporariamente da rotina de trabalho e proporcionam momentos de lazer e integração. Ela defendeu que iniciativas de valorização não fiquem restritas ao mês de outubro e afirmou que ser ouvido e acolhido pode contribuir para que os agentes mantenham a motivação para desempenhar suas funções.

Encerramento será no dia 29
A programação do “O Agente no Caminho do Cuidado” será encerrada em 29 de outubro, com um dia de confraternização, festa e atrações preparadas especialmente para os Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias.

A iniciativa coloca em evidência profissionais que atuam diariamente nas ruas, nas residências e junto às comunidades, exercendo funções relacionadas à prevenção de doenças, promoção da saúde e aproximação da população com os serviços públicos.

Ao propor um mês de atividades e, principalmente, de escuta dos trabalhadores, o projeto busca associar a valorização dos agentes ao próprio conceito de cuidado em saúde: reconhecer também quem está na linha de frente e conhece, de perto, as necessidades de cada território.

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