Prefeito de Iguatama dá 90 dias para solução sobre fábrica da Heringer no município
Notificação cobra retomada da fábrica ou venda da planta e prevê desapropriação caso empresa não apresente alternativa
O prefeito Lucas Vieira, de Iguatama, decidiu endurecer a cobrança sobre a Heringer diante da paralisação da planta industrial instalada no município. Nesta semana, o chefe do Executivo Municipal assinou uma notificação extrajudicial estabelecendo prazo de 90 dias para que a empresa apresente uma solução para o futuro da fábrica.
Entre as alternativas colocadas pelo município estão a retomada das atividades industriais ou a venda da estrutura para investidores interessados em assumir o empreendimento. Caso nenhuma solução seja apresentada dentro do prazo estabelecido, a Prefeitura afirma que poderá dar início ao processo de desapropriação.
A decisão ocorre após meses de reuniões e tratativas envolvendo a administração municipal e a InvestMinas, agência de investimentos do Governo de Minas Gerais. Segundo o prefeito, durante esse processo foram identificados interessados em comprar ou arrendar a planta, mas as negociações não avançaram.

Interesse de investidores não teria sido suficiente
De acordo com Lucas Vieira, a existência de potenciais investidores demonstra que há interesse na estrutura industrial e na possibilidade de retomada das atividades. O principal obstáculo, segundo o prefeito, estaria na falta de avanço das negociações com a direção da Heringer.
O prefeito afirmou que a manutenção da fábrica fechada representa um impacto para Iguatama, especialmente pela ausência dos empregos e da renda associados à atividade industrial.
“A empresa prefere manter a fábrica fechada a vender ou arrendar, apenas para controlar a oferta no mercado. E quem paga essa conta é a nossa cidade, que fica sem os empregos e sem a renda em virtude da paralisação”, declarou Lucas.
A estrutura também conta com uma condição logística considerada estratégica para a atividade industrial. A planta possui concessão de uso de linha férrea destinada ao escoamento da produção, elemento citado pela administração municipal durante a discussão sobre o futuro do complexo.
Município estabelece prazo de 90 dias
Com a notificação, a Prefeitura pretende estabelecer um prazo para que a situação seja definida. São 90 dias corridos para que a Heringer apresente uma alternativa, seja pela reabertura da fábrica, seja pela transferência da estrutura para interessados em colocar o complexo novamente em funcionamento.
O município também afirma que, caso o prazo seja ignorado, poderá iniciar imediatamente o processo de desapropriação. A medida representa uma mudança na condução das tratativas, depois de sucessivas tentativas de diálogo sobre o futuro da planta.

Ao comentar a decisão, Lucas Vieira afirmou que a Heringer pode ser uma grande empresa, mas que o município pretende defender os interesses da população. “A Heringer pode ser uma gigante, um Golias, mas do nosso lado está a coragem, a nossa gente e o interesse da cidade”, afirmou.
Emprego e renda no centro da discussão
A situação da fábrica passou a ser tratada pela administração municipal como uma questão diretamente relacionada ao mercado de trabalho e à movimentação econômica de Iguatama. A expectativa é que uma eventual retomada da atividade industrial permita recuperar empregos e renda associados à operação da unidade.
O prefeito também convocou a comunidade a acompanhar a iniciativa e destacou que a administração municipal pretende continuar atuando para encontrar uma solução para a planta.
A partir da notificação, começa a contagem do prazo de 90 dias estabelecido pelo município. Ao final desse período, caso não haja reabertura ou venda da estrutura, a Prefeitura afirma que poderá avançar para a etapa seguinte, com o início do processo de desapropriação.
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