Vigilância Laboratorial organiza envio de amostras e agiliza investigação de doenças infecciosas em Pará de Minas

Setor foi criado em 2024 após epidemia de dengue e chikungunya

A Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas implantou um setor específico para organizar o fluxo de amostras coletadas durante a investigação de doenças infecciosas. A estrutura atua no recebimento, conferência, triagem e encaminhamento de materiais para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, e para outros laboratórios de referência.

A criação do serviço ocorreu depois de uma situação enfrentada pelo município em 2024, quando uma epidemia provocou um volume de notificações e coletas muito superior ao habitual. Segundo a coordenadora do Laboratório Municipal, Débora Viana, a ausência de uma estrutura específica para acompanhar esse processo contribuiu para a formação de um grande acúmulo de materiais.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

De acordo com Débora, aproximadamente 5 mil amostras chegaram a ficar acumuladas naquele período. A experiência levou a Secretaria Municipal de Saúde a identificar a necessidade de estabelecer um acompanhamento permanente dos levantamentos epidemiológicos e da quantidade de solicitações, permitindo agir antes que o volume atingisse novamente uma situação crítica.

A proposta, portanto, passou a ser acompanhar o comportamento das notificações e organizar o encaminhamento das amostras de acordo com a demanda, evitando a repetição do gargalo registrado durante a epidemia:

Débora Viana
labdebora1

Vigilância acompanha diferentes doenças
O trabalho desenvolvido pelo setor não está restrito às arboviroses. O fluxo contempla amostras relacionadas à investigação de dengue, chikungunya e zika, além de outras doenças de interesse para a saúde pública.

Entre os exames acompanhados estão investigações de tuberculose, rubéola, caxumba e coqueluche. O setor também participa da investigação de surtos de doenças diarreicas e de outras infecções provocadas por vírus, bactérias e fungos.

A biomédica Maria Luyza de Camargos, responsável pelo setor de Vigilância Laboratorial, explica que o envio das amostras à Funed ocorre normalmente uma vez por semana. Entretanto, quando a situação exige maior rapidez, o intervalo pode ser reduzido.

Essa flexibilidade permite que determinados materiais sejam encaminhados duas vezes na mesma semana, conforme a necessidade de cada caso. O objetivo é possibilitar que os resultados sejam disponibilizados em tempo adequado para que o paciente receba a conduta necessária e para que as equipes de saúde possam adotar as medidas correspondentes.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Resultado do exame orienta ações de vigilância
Depois que os exames são processados, os resultados retornam para a Vigilância Epidemiológica, que realiza o acompanhamento dos casos e orienta as medidas junto aos pacientes e às equipes de saúde.

Maria Luyza destaca ainda que a confirmação laboratorial das doenças infecciosas possui impacto que vai além do atendimento individual. Segundo ela, a identificação dos casos permite que o município acompanhe a evolução das doenças e direcione ações de prevenção e controle.

No caso da dengue, por exemplo, a análise dos resultados pode indicar a concentração de casos em determinada região. A partir desse cenário, as informações podem ser utilizadas em conjunto com a Vigilância Ambiental para definir ações de campo.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

A lógica permite identificar alterações na distribuição dos casos e verificar se existe concentração de ocorrências em determinado bairro. Dessa forma, o diagnóstico laboratorial passa a integrar uma cadeia de informações utilizada para acompanhar o comportamento das doenças no município:

Maria Luyza de Camargos
labmarialuyza1

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Coleta começa nas unidades de saúde
As amostras são coletadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e seguem posteriormente para o setor responsável pela Vigilância Laboratorial. Antes do encaminhamento aos laboratórios de referência, os materiais passam por conferência e triagem.

Esse processo é realizado em parceria com o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), que mantém equipe responsável pelas coletas nas unidades básicas de saúde, seguindo uma escala de atendimento.

A responsável técnica pela triagem no HNSC, biomédica Luiza Vales, explica que as coletas são realizadas de segunda a sexta-feira. Depois dessa etapa, os materiais seguem para a estrutura localizada no prédio da Piedade, onde ocorre a organização das amostras.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Segundo Luiza, a equipe realiza a conferência, a separação e o direcionamento dos materiais conforme o destino. Nesse processo, são identificadas as amostras que precisam ser encaminhadas à Funed, as destinadas ao Hospital Nossa Senhora da Conceição e aquelas que seguem para o laboratório de apoio.

A triagem funciona, portanto, como uma etapa de organização da logística laboratorial, permitindo que cada material receba o encaminhamento correspondente antes de chegar ao laboratório responsável pela análise:

Luiza Vales
labluiza1

UPA e hospital podem acelerar encaminhamento
Embora o fluxo regular passe pela organização do setor de Vigilância Laboratorial, existem situações nas quais a urgência exige uma tramitação mais rápida.

Nesses casos, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o hospital possuem autonomia para encaminhar diretamente as amostras à Funed. A possibilidade busca reduzir o tempo de deslocamento do material quando a situação demanda maior agilidade e evitar atrasos na análise.

A estrutura estabelece, assim, diferentes caminhos para o encaminhamento das amostras, considerando tanto o fluxo habitual das unidades básicas quanto situações que exigem resposta mais rápida.

Organização melhora acompanhamento das amostras
A implantação do setor também trouxe um mecanismo permanente de acompanhamento do processo. Em vez de atuar somente quando ocorre um aumento expressivo das notificações, a estrutura permite monitorar a evolução da demanda e identificar antecipadamente mudanças no volume de exames.

A experiência de 2024 foi determinante para essa reorganização. O acúmulo de cerca de 5 mil amostras evidenciou a necessidade de acompanhar de forma contínua tanto os levantamentos epidemiológicos quanto o crescimento das solicitações.

A partir dessa estrutura, a Secretaria Municipal de Saúde passou a contar com um fluxo definido desde a coleta até o encaminhamento para análise e posterior retorno dos resultados às áreas responsáveis pelo acompanhamento epidemiológico.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Indicador estadual supera 95%
Desde a implantação do setor, Pará de Minas tem registrado mais de 95% de resultados satisfatórios no indicador estadual VIGIMINAS relacionado às amostras de arboviroses.

O desempenho está associado à organização do fluxo de recebimento, triagem e encaminhamento dos materiais, além do acompanhamento dos resultados.

Para a Vigilância Laboratorial, a estrutura permite integrar diferentes etapas que começam nas unidades de saúde e passam pela triagem, pelo encaminhamento aos laboratórios de referência e pelo retorno das informações à Vigilância Epidemiológica.

O processo também fortalece a utilização dos resultados laboratoriais na identificação e no acompanhamento de doenças infecciosas, permitindo que as informações produzidas pelos exames sejam incorporadas às ações de vigilância e às medidas adotadas pelas equipes de saúde.

Integração entre setores fortalece resposta
A rotina envolve diferentes estruturas da rede municipal. As UBSs participam da coleta, o Hospital Nossa Senhora da Conceição atua na logística e na triagem, a Vigilância Laboratorial organiza o encaminhamento, a Funed e outros laboratórios de referência realizam as análises e a Vigilância Epidemiológica utiliza os resultados para o acompanhamento dos casos.

Essa integração também possibilita que situações identificadas nos exames sejam relacionadas às ações de vigilância. Quando há aumento de ocorrências em determinado local, por exemplo, os dados podem contribuir para que outras áreas da saúde avaliem a necessidade de intervenções específicas.

O setor criado após a experiência de 2024 passou, dessa maneira, a concentrar uma etapa essencial do processo: garantir que as amostras sejam corretamente conferidas, direcionadas e acompanhadas, reduzindo a possibilidade de novos acúmulos e contribuindo para que os resultados cheguem em tempo adequado às equipes responsáveis pelo atendimento e pela vigilância em saúde.

Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!