Rede de Saúde Mental de Pará de Minas amplia acesso e realiza cerca de 9 mil procedimentos mensais
Atendimento começa pelo acolhimento
A Rede de Atenção Psicossocial de Pará de Minas reúne diferentes serviços para oferecer acompanhamento em saúde mental de acordo com as necessidades de cada usuário. Estruturada pela Secretaria Municipal de Saúde, a RAPS conta com três Centros de Atenção Psicossocial, profissionais de psicologia nas Unidades Básicas de Saúde, Residência Terapêutica e o Centro de Convivência de Saúde Mental e Cultura Caminho da Esperança.
Segundo a coordenadora da RAPS, Raianne Couto, os três CAPS funcionam como portas de entrada abertas. Isso significa que a pessoa pode procurar diretamente o serviço, sem necessidade de encaminhamento. A partir da chegada, passa por acolhimento e avaliação da equipe multiprofissional, que identifica as demandas e define a forma mais adequada de cuidado.
Três CAPS atendem públicos diferentes
A estrutura inclui o CAPSi, direcionado a crianças e adolescentes, o CAPS II e o CAPS AD, especializado no acompanhamento de pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
Atualmente, cada CAPS registra mais de 3 mil procedimentos, resultando em uma média de aproximadamente 9 mil procedimentos nos três serviços, além dos atendimentos realizados por psicólogos que atuam nas UBSs.

Raianne ressalta que facilitar a entrada no serviço é apenas parte da proposta. Para ela, também é fundamental garantir que o usuário encontre um ambiente onde possa expor suas necessidades com liberdade e se sinta efetivamente acolhido:
Raianne Couto
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Convivência e oficinas fazem parte do cuidado
O Centro de Convivência Caminho da Esperança complementa a rede utilizando atividades artísticas, oficinas e momentos de convivência como instrumentos de cuidado e reabilitação psicossocial.
A coordenadora Helen Borges explica que o trabalho começa pelo acolhimento e se amplia para conversas individuais e coletivas, amizades e atividades que estimulam a participação social. O espaço também promove passeios pela cidade, buscando fortalecer a sensação de pertencimento e a relação dos usuários com a comunidade.

O Centro funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, com atividades abertas ao público. Helen resume a proposta do espaço em elementos como afeto, cuidado e atenção às pessoas:
Helen Borges
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Vínculo pode transformar a relação com o tratamento
Usuária do CAPS II desde o início do serviço, Márcia da Silva relata que chegou ao atendimento sem confiança e com dificuldade para estabelecer aproximação com os profissionais. Na avaliação dela, a capacidade da equipe de compreender o momento vivido pelo paciente é fundamental para construir uma relação de confiança.

Márcia afirma que esse vínculo foi determinante em sua trajetória e que passou a considerar o CAPS como uma família. Como forma de retribuir o apoio recebido, atualmente participa voluntariamente de uma oficina de música:
Márcia da Silva
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A experiência relatada por ela reforça um dos princípios destacados pelos profissionais da RAPS: o cuidado em saúde mental envolve não apenas o atendimento clínico, mas também escuta, convivência, acolhimento e construção de vínculos.
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