GRNEWS TV: Como Pará de Minas tenta preservar sua história sem impedir o crescimento da cidade
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Cleysi Mara Pinto de Souza, arquiteta e presidente do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Pará de Minas, explicou que o órgão tem papel decisivo na análise de reformas e intervenções em imóveis protegidos. Segundo ela, os conselheiros avaliam projetos para evitar alterações que comprometam as características históricas dos bens.
Mesmo mudanças aparentemente simples, como pintura, precisam passar pela análise do Conselho. Na reforma da Casa de Cultura, por exemplo, o projeto foi apresentado à equipe, inclusive com representação em 3D, para facilitar a avaliação de como o imóvel ficará após a intervenção.
Preservação acompanha as necessidades atuais
Cleysi ressalta que o tombamento não impede reformas. Reparos elétricos, hidráulicos, pinturas, substituição de revestimentos e adequações necessárias podem ser realizados, desde que acompanhados pelo COMPAC.
Um dos critérios centrais é verificar se a intervenção poderá descaracterizar o imóvel. Em projetos mais complexos, como a instalação de estruturas de maior impacto, o processo pode exigir discussões e ajustes para conciliar as necessidades de uso com a preservação.
Crescimento urbano traz novos desafios
Pará de Minas vive expansão da construção civil, com novos loteamentos e edifícios. Nesse cenário, o Conselho busca conciliar a modernização da cidade com a proteção de áreas e construções que fazem parte da memória local.
Cleysi explica que o tombamento também pode estabelecer áreas de entorno que precisam ser preservadas. A análise considera, portanto, não apenas o imóvel isoladamente, mas sua relação com o núcleo histórico.
Acessibilidade também faz parte da preservação
Rampas e corrimãos podem ser instalados em imóveis históricos quando necessários, desde que sejam planejados de forma compatível com a conservação. A Escola de Artes recebeu uma rampa, enquanto a Escola Fernando Otávio passou por adequações com corrimãos.
Segundo Cleysi, o COMPAC procura oferecer suporte técnico aos responsáveis pelos imóveis. A proposta é acompanhar as intervenções e buscar soluções que permitam acessibilidade, segurança, manutenção e utilização dos espaços sem comprometer seus valores históricos.
Intervenções sem autorização podem gerar penalidades
Obras realizadas sem autorização em imóveis tombados podem resultar em multa e negociação para regularização. A presidente também relatou um caso envolvendo uma edificação próxima a uma escola, que exigiu cerca de um ano de reuniões e ajustes, inclusive com participação do Ministério Público, até chegar a uma solução considerada adequada para as partes envolvidas.
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