Brasil estuda medidas de reciprocidade após taxação norte-americana e defende autonomia do Pix

O cenário das relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou novos episódios de tensão após o anúncio de novas barreiras alfandegárias. Em pronunciamento realizado em São Paulo, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, assegurou que o governo brasileiro está avaliando de forma criteriosa a aplicação de medidas de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pela administração norte-americana.

Durigan rechaçou firmemente o termo retaliação, enfatizando que a estratégia brasileira se pauta estritamente na legalidade e na defesa da estabilidade econômica nacional. O ministro relembrou que o Congresso Nacional aprovou de forma unânime uma legislação que resguarda os interesses do país, estabelecendo ritos específicos para lidar com decisões unilaterais ou ofensivas partindo de parceiros externos. A aplicação desse mecanismo legal está sendo analisada conjuntamente com o setor empresarial para ser apresentada ao presidente, garantindo uma resposta proporcional e no momento adequado.

Para a liderança da Fazenda, a sobretaxa de 25% adotada pelo governo dos Estados Unidos carece de fundamentos econômicos sólidos. O ministro destacou que, diante da falta de argumentos técnicos por parte dos norte-americanos, o Brasil se encontra respaldado pela razão e continuará buscando o diálogo de maneira firme, sem recuar nas negociações bilaterais previstas para os próximos meses.

Defesa dos interesses nacionais e equilíbrio comercial
Durante a coletiva de imprensa, o representante do governo pontuou a contradição da medida sob a ótica estritamente comercial, lembrando que o balanço de trocas entre as duas nações é historicamente favorável aos Estados Unidos. Atualmente, o comércio bilateral gera um saldo positivo para o mercado norte-americano, enquanto as corporações e os cidadãos brasileiros enfrentam um déficit nessa balança.

O ministro sustentou que a solidez alcançada pela economia do país confere o fôlego necessário para proteger o mercado interno e a sociedade contra oscilações externas, comparando a situação com blindagens operadas anteriormente em outros setores estratégicos, como o de combustíveis.

A análise do Palácio do Planalto indica que o governo comandado por Donald Trump desconsiderou os canais tradicionais de interlocução com os segmentos produtivos, optando por uma sanção ampla contra o mercado brasileiro. Durigan classificou os argumentos utilizados por Washington — que envolvem alegações de práticas comerciais inadequadas e questões ligadas à preservação florestal — como inverídicos, sugerindo que a equipe estrangeira pode estar se baseando em dados defasados de gestões passadas.

Contestação dos argumentos norte-americanos e proteção ao Pix
Outro ponto de forte atrito nas discussões envolve os meios de pagamento digitais. O ministro assegurou de forma categórica que o Pix não será incluído em qualquer tipo de barganha diplomática ou comercial. A ferramenta de transferências instantâneas foi rotulada por autoridades dos Estados Unidos como uma barreira desleal ao comércio, visão que o governo brasileiro refuta de forma veemente.

A Fazenda reiterou que o Pix constitui uma infraestrutura pública, de acesso aberto e essencial para o funcionamento do ecossistema financeiro nacional, tendo impulsionado tanto as vendas à vista quanto as operações com cartões no território nacional. Por ser um patrimônio de prestação de serviços ao cidadão, sua existência e formato não são passíveis de alteração por pressões externas.

Por fim, o diagnóstico governamental aponta que a movimentação tarifária possui um forte componente político e eleitoreiro em solo norte-americano. O ministro lamentou o fato de que atores políticos internos no Brasil tentem se valer dessa conjuntura prejudicial para obter dividendos eleitorais locais, agindo em detrimento dos trabalhadores, dos investidores e das companhias que dependem do fluxo de exportações para o mercado da América do Norte. Com informações da Agência Brasil

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