GRNEWS TV: Moradia pode ser a chave para devolver dignidade e tirar as pessoas das ruas
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Marina Saraiva, psicóloga e coordenadora do Centro Pop, disse que a realidade das pessoas em situação de rua vai muito além da falta de um teto. Ela destacou que os maiores desafios enfrentados atualmente envolvem o uso abusivo de álcool e outras drogas, a exclusão social e a ausência de alternativas habitacionais capazes de favorecer a reconstrução da vida dessas pessoas.
Segundo Marina, o atendimento realizado pelo Centro POP ocorre em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), CAPS AD e Unidades Básicas de Saúde, buscando reduzir os impactos da dependência química e oferecer novas oportunidades de reinserção social.
Habitação aparece como prioridade para um novo começo
Entre os projetos estudados pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social está a criação de alternativas de acolhimento temporário, como convênios com pensões, hotéis ou futuras estruturas de abrigo. A psicóloga revelou que a equipe também pesquisa experiências bem-sucedidas de outras cidades brasileiras e até de países como a Finlândia, onde programas de “moradia primeiro” têm apresentado resultados positivos.
A proposta consiste em garantir inicialmente uma habitação digna para, posteriormente, fortalecer ações voltadas ao emprego, tratamento de saúde, autonomia e retomada dos vínculos familiares. Para ela, esse planejamento exige diagnóstico detalhado, investimentos e atuação integrada entre diferentes setores.
Pertencimento fortalece autoestima e muda comportamentos
Marina contou que muitos usuários se surpreendem ao conhecer o Centro POP. Além da alimentação, banho e higiene, o espaço promove convivência, acolhimento e incentiva o sentimento de pertencimento. Alguns frequentadores, inclusive, passaram a colaborar espontaneamente com a organização do local, ajudando na limpeza e preservação dos ambientes.
Ela também rebateu críticas relacionadas às atividades de integração, como a festa junina promovida pela unidade. Segundo a psicóloga, cada pessoa possui uma trajetória diferente e não existe um único perfil entre quem vive nas ruas. Há desempregados, vítimas de violência doméstica, pessoas com transtornos mentais, dependentes químicos e também indivíduos que romperam vínculos familiares.
Para Marina, combater a generalização e o preconceito é fundamental para ampliar as chances de recuperação e garantir que essas pessoas encontrem novos caminhos para reconstruir a própria história com dignidade e autonomia.
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