GRNEWS TV: Centro Pop acolhe pessoas em situação de rua e mostra que respeito abre mais portas que a imposição
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Marina Saraiva, psicóloga e coordenadora do Centro Pop, enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Centro Pop de Pará de Minas vai muito além da oferta de alimentação e higiene. A missão da equipe é construir vínculos, garantir direitos e criar oportunidades para que pessoas em situação de rua possam reconstruir suas trajetórias. Destacou que a abordagem social realizada pelo serviço é totalmente técnica e baseada no respeito à dignidade humana.
Segundo ela, muitas pessoas ainda acreditam que a equipe vai às ruas para retirar pessoas dos espaços públicos, mas essa não é a função do Centro Pop. “Antes de qualquer situação, existe uma pessoa que precisa ser vista, ouvida e respeitada”, destacou.
Construção de confiança é o primeiro passo
Marina explicou que, ao atender uma solicitação ou realizar uma abordagem de rotina, os profissionais se apresentam, conversam, perguntam o nome da pessoa, explicam como funciona o Centro Pop e oferecem os serviços disponíveis. A decisão de aceitar ou não o atendimento é sempre do usuário.
Ela ressaltou que ninguém pode ser retirado das ruas contra a própria vontade. O objetivo da equipe é criar confiança, fortalecer vínculos e despertar o desejo de buscar uma nova oportunidade de vida. Segundo a psicóloga, essa postura tem apresentado resultados positivos, levando muitos usuários a conhecerem espontaneamente o serviço.
Cada história é diferente e merece ser respeitada
A psicóloga também comentou sobre o preconceito enfrentado pelas pessoas em situação de rua, especialmente após ações de integração, como a festa junina promovida pelo Centro Pop. Ela afirmou que não existe um perfil único entre os usuários. Há pessoas desempregadas, vítimas de violência doméstica, indivíduos com transtornos mentais, dependência química, rompimento de vínculos familiares e também pessoas que tiveram envolvimento com a criminalidade.
Por isso, Marina defende que não se pode generalizar. Para ela, eventos de convivência representam muito mais do que momentos de lazer. São oportunidades para que essas pessoas sejam acolhidas, convivam em igualdade e recuperem a autoestima.
Atendimento cresce e acolhe também migrantes
Atualmente, o Centro Pop registra uma média diária entre 30 e 35 atendimentos, número que chegou perto de 50 pessoas em uma única semana. Além dos moradores em situação de rua de Pará de Minas, o serviço também recebe migrantes que passam pela cidade em busca de alimentação, banho, apoio e encaminhamento para outros municípios.
Marina reforçou que cada atendimento representa uma chance de construir novos projetos de vida, sempre respeitando a autonomia, a história e as escolhas de cada cidadão.
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