Fenabrave eleva a 8,6% previsão de alta na venda de veículos em 2026

O mercado automobilístico brasileiro tem apresentado um desempenho consideravelmente superior às expectativas traçadas no início do ano. Diante desse cenário de aquecimento, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) recalculou suas projeções e anunciou que a comercialização de veículos novos deve registrar uma expansão de 8,6% ao longo deste ano. A expectativa atualizada aponta para um volume total superior a 5,2 milhões de unidades faturadas.

Essa estimativa global abrange os licenciamentos de carros de passeio, utilitários leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários. O novo percentual corrige a meta estipulada no começo do ciclo, quando a entidade estimava uma alta mais tímida, na casa de 6,1%. Segundo a presidência da instituição, a força demonstrada por quase todas as categorias de transporte exigiu uma reavaliação detalhada de cada segmento para alinhar os números à realidade das concessionárias.

Incentivos fiscais e expansão de lojas impulsionam resultados recordes no semestre
No recorte que engloba automóveis, caminhões, ônibus e comerciais leves, a projeção de crescimento saltou de 3,02% para 7,9%, com a perspectiva de que 2,7 milhões de unidades cheguem às ruas. O segmento de duas rodas é outro grande destaque do ano, caminhando para um recorde histórico com alta estimada em 10% e vendas que devem superar 2,4 milhões de motocicletas. Esse movimento ganhou tração no primeiro semestre, período em que o setor automotivo consolidou um avanço de 16,01%, totalizando 2.715.403 unidades comercializadas de janeiro a junho.

De acordo com os analistas da federação, esse crescimento surpreendente é sustentado por fatores conjunturais e mercadológicos bem definidos. O principal deles é o programa federal Carro Sustentável, que estimulou o consumo ao reduzir as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos mais leves e de menor impacto ambiental. Além disso, a forte concorrência entre as montadoras provocou uma redução real nos preços finais, processo apoiado pela expansão da própria rede de distribuição, que alcançou a marca de 8.401 concessionárias filiadas no país.

Segmento de pesados apresenta retração no acumulado apesar de estímulo a juros baixos
Embora os carros de passeio e as motocicletas acumulem altas expressivas de 20,11% e 14,10% no semestre, respectivamente, os veículos pesados ainda enfrentam um cenário de retração. O balanço conjunto de caminhões e ônibus apresentou uma queda de 9,09% na primeira metade do ano, somando 61.020 emplacamentos. As projeções para o fechamento do ano permanecem no campo negativo, estimando baixas de 7,8% para caminhões e de 9,2% para ônibus.

Apesar da tendência anual negativa, o segmento de caminhões demonstrou sinais de reação no mês de junho, registrando uma alta de quase 15% na comparação com o mês anterior. Esse alívio pontual foi atribuído aos efeitos do programa Move Brasil, iniciativa governamental que disponibilizou linhas de crédito com juros subsidiados para incentivar a substituição de frotas antigas. A diretoria executiva da Fenabrave pontuou, contudo, que os aportes financeiros da segunda fase desse programa de incentivo já se esgotaram, e que muitas transações comerciais ainda dependem de trâmites burocráticos para se converterem em emplacamentos efetivos no sistema de trânsito. Com informações da Agência Brasil

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