Tempestades de granizo castigam cafezais mineiros. Veja orientações para a recuperação da lavoura
As precipitações com queda de granizo que atingiram diferentes localidades de Minas Gerais nas semanas passadas geraram forte preocupação entre os cafeicultores. Em diversas propriedades rurais, o impacto das pedras de gelo resultou em desfolhamento acentuado, quebra de galhos produtivos, escoriações nos frutos e devastação de talhões inteiros. O sinistro ocorre justamente em uma fase crucial para a fisiologia do cafeeiro, que demanda estabilidade para se reestruturar após o término da colheita.
De acordo com análises do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), embora a previsão exata desse fenômeno em microrregiões seja complexa, a Zona da Mata e o Sul de Minas Gerais lideram as estatísticas de ocorrência devido ao relevo mais acentuado, que atua como facilitador para o desenvolvimento de frentes de tempestades severas. A condição meteorológica atual se mostra atípica, quebrando o padrão de estiagem esperado para o período e mantendo o risco de rajadas de vento acompanhadas de granizo em pontos isolados dessas duas regiões produtoras.
Diagnóstico criterioso e contenção de patógenos na lavoura
Para mitigar os prejuízos e reabilitar a capacidade produtiva das plantas, especialistas do Conselho Nacional do Café (CNC) recomendam que o produtor aja com prudência, evitando intervenções imediatas sem um diagnóstico prévio. A estratégia de manejo deve ser balizada pela gravidade das lesões:
Avarias de leve intensidade: Quando constatada apenas a perda parcial da folhagem e escoriações superficiais nos tecidos vegetais, a orientação é dar continuidade ao cronograma original de tratos culturais, focando no reforço nutricional e na vigilância fitossanitária.
Avarias de alta intensidade: Nos talhões onde houve o estilhaçamento de ramos e comprometimento da arquitetura da planta, torna-se mandatória a execução de podas seletivas planejadas para induzir a brotação e renovar a copa do cafeeiro.
Outro fator de risco crítico após a chuva de granizo é a vulnerabilidade sanitária. Os ferimentos expostos nos galhos e troncos servem como porta de entrada para a colonização de bactérias e fungos fitopatogênicos. Essa condição exige assistência agronômica contínua e a aplicação tempestiva de defensivos adequados para bloquear infecções secundárias que possam dizimar o restante do rebanho vegetal.
Previsão do El Niño exige medidas urgentes de resiliência
A instabilidade do clima ganha contornos mais complexos com a consolidação do fenômeno El Niño, previsto para atuar com maior intensidade ao longo do segundo semestre de 2026. A interferência desse evento climático deve alterar a distribuição e o volume de chuvas nas principais regiões agrícolas do país. No território mineiro, a perspectiva de ondas de calor prolongadas e severidade no déficit hídrico ameaça diretamente fases sensíveis do café, tais como o período de florada e a etapa de enchimento dos grãos, fatores que deprimem tanto o rendimento em saca quanto o padrão de qualidade da bebida.
Buscando salvaguardar as lavouras contra os extremos climáticos, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa) reforça a obrigatoriedade de se revisar o planejamento estratégico das propriedades. A Superintendência de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa preconiza o investimento em técnicas de conservação de umidade, citando como exemplos o sistema de plantio direto e a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo. Adicionalmente, recomenda-se a migração gradual para variedades de cafeeiro que apresentem maior tolerância à seca, bem como o desenho de projetos de irrigação tecnificada, desde que haja outorga hídrica e infraestrutura viável na fazenda.
O órgão estadual ressalta que programas de fomento à sustentabilidade, revitalização de bacias hidrográficas, ferramentas de gestão territorial e processos de certificação de boas práticas agrícolas já estruturados em Minas Gerais funcionam como mecanismos indispensáveis para elevar a blindagem e a resiliência dos produtores diante das adversidades do clima. Com informações da Agência Minas


