Avanço no uso de medicamentos modernos acende alerta na doação de sangue

O uso de medicações de última geração, terapias hormonais e tratamentos de prevenção de infecções tem exigido uma atenção redobrada no momento da triagem clínica para a doação de sangue. A Fundação Hemominas emitiu um alerta direcionado aos voluntários, destacando que a transparência sobre o consumo de substâncias como emagrecedores da moda, anabolizantes e antirretrovirais é fundamental para garantir a proteção de quem recebe os componentes sanguíneos.

Com as constantes atualizações nos protocolos médicos, certos prazos de impedimento temporário foram modificados, tornando o questionário que antecede a coleta um elemento crucial para a segurança transfusional.

Mudanças nos prazos para usuários de PrEP e PEP
Uma das principais atualizações regulatórias diz respeito ao tempo de espera para indivíduos que fazem uso de medicamentos voltados à prevenção do vírus HIV, englobando a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP). O período em que o voluntário permanece temporariamente impedido de doar foi reduzido de seis para quatro meses após o término do tratamento. Contudo, a justificativa que levou à indicação dessas terapias também passa por avaliação técnica, o que pode alterar o tempo final de liberação.

A justificativa médica para o rigor nessa triagem baseia-se no comportamento dos antirretrovirais no organismo. Essas substâncias conseguem diminuir a presença do vírus na corrente sanguínea de forma temporária, o que pode complementar os testes laboratoriais e dificultar a detecção em exames de triagem. A omissão desse dado gera um risco real de contaminação ao receptor.

Especialistas reforçam ainda que a consagrada regra científica de que pacientes com carga viral indetectável não transmitem o vírus (I=I) funciona exclusivamente para relações sexuais. No cenário de uma transfusão, o volume infundido é expressivo e injetado diretamente na via endovenosa, o que significa que mesmo taxas microscópicas do vírus representam perigo de contaminação.

Impacto de canetas emagrecedoras e perda rápida de peso
O avanço no consumo de terapias baseadas em agonistas do receptor de GLP-1 — categoria em que se enquadram remédios populares como semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro), voltados ao tratamento do diabetes e combate à obesidade — também acende um sinal de alerta. O início da terapia ou qualquer alteração recente de dosagem gera um bloqueio temporário de 14 dias para a coleta de sangue. O impedimento é reforçado caso o paciente apresente efeitos colaterais comuns a esses tratamentos, tais como náuseas, vômitos, quadros graves de refluxo, diarreia contínua ou manifestações de desidratação (tonturas e fraqueza).

O controle sobre a procedência da medicação é outro fator restritivo. Práticas como o compartilhamento de receitas, o uso de fórmulas de origem duvidosa ou a falta de posse física do produto barram o candidato por um período longo de 12 meses. Sob o ponto de vista físico, perdas de peso muito aceleradas — superiores a 10% do peso total do indivíduo em um intervalo menor do que 90 dias — exigem que o voluntário aguarde a completa estabilização da massa corporal antes de estar apto.

Independentemente do uso de remédios, a fundação orienta que o doador compareça ao local bem alimentado e hidratado, cuidando para cumprir o intervalo mínimo de três horas após a ingestão de refeições com alto teor de gordura.

Riscos associados a anabolizantes e hormônios
A utilização de testosterona e outros esteroides anabolizantes, inclusive em apresentações de aplicação cutânea (gel), é outra informação de declaração obrigatória na entrevista. A presença dessas substâncias no sangue doado pode acarretar sérios problemas de saúde para determinados perfis de pacientes.

O maior risco concentra-se nas mulheres grávidas. Se uma gestante receber sangue contendo vestígios de hormônios andrógenos, o feto pode sofrer graves anomalias em seu desenvolvimento natural. Por essa razão, especificar a data exata da última dose aplicada é uma exigência essencial.

A cooperação e a honestidade dos voluntários durante a sabatina médica continuam sendo os pilares para manter o estoque de sangue não apenas volumoso, mas totalmente seguro para a rede hospitalar. Com informações da Agência Minas

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