Emprego atinge maior nível de qualidade com queda na informalidade

O cenário ocupacional brasileiro apresenta uma transformação estrutural positiva. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados ontem (5) pelo IBGE, a taxa de informalidade recuou para 37,5% no trimestre encerrado em janeiro de 2026. Este é o menor patamar registrado desde julho de 2020, consolidando uma trajetória de melhora que se intensificou a partir de 2023.

Atualmente, o país conta com 38,5 milhões de trabalhadores informais, um volume inferior aos 38,4% registrados no mesmo período do ano passado. Segundo a coordenação do IBGE, se desconsiderarmos o período atípico da pandemia em 2020 — quando a informalidade caiu porque as pessoas foram impedidas de trabalhar —, o índice atual representa o melhor momento da qualidade do emprego em toda a série histórica do instituto.

Redução de empregos sem carteira e avanço do CNPJ
A retração da informalidade é explicada por dois movimentos combinados: a diminuição de contratações sem registro no setor privado e o aumento da formalização de trabalhadores por conta própria, que passaram a operar com CNPJ. Esse fenômeno tem impacto direto no bolso do cidadão. Com uma composição de vagas mais estáveis, o rendimento real habitual do brasileiro atingiu o recorde de R$ 3.652, o que representa um crescimento real de 5,4% em relação ao ano anterior.

A estabilidade do mercado como um todo, aliada à redução proporcional dos vínculos informais, assegura que os ganhos salariais observados ao longo de 2025 se mantenham sustentáveis neste início de 2026. No setor privado, o número de empregados com carteira assinada chegou a 39,4 milhões, um acréscimo de 800 mil pessoas em um ano.

Dinâmica dos setores e variações nas atividades econômicas
O relatório do IBGE também detalha o desempenho por áreas de atuação. Os setores de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Administrativas e Imobiliárias foram os grandes destaques, com alta de 2,8% no número de ocupados em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, o grupo que engloba Administração Pública, Saúde e Educação deu um salto de 6,2%, incorporando 1,1 milhão de novos trabalhadores.

Em contrapartida, alguns segmentos registraram retração. A indústria geral apresentou um recuo de 2,3% no trimestre, o que significa 305 mil postos a menos. Já o setor de serviços domésticos teve uma queda anual de 4,2%, refletindo uma mudança na forma de inserção laboral dessas profissionais.

Abrangência da análise nacional
A precisão dos indicadores é garantida pela robustez da Pnad Contínua, considerada a principal ferramenta de diagnóstico da força de trabalho no Brasil. A pesquisa visita trimestralmente 211 mil residências em 3.500 cidades brasileiras. O esforço envolve cerca de 2 mil profissionais do IBGE distribuídos por centenas de agências em todo o território nacional, permitindo uma visão detalhada das mudanças sociais e econômicas do país. Com informações da Agência Brasil

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