Pesquisa revela que maioria das brasileiras enfrenta o medo constante do assédio

A insegurança deixou de ser um temor abstrato para se tornar uma realidade estatística na vida das mulheres que residem nas principais metrópoles do Brasil. Um estudo recente, intitulado Viver nas Cidades: Mulheres, aponta que 71% da população feminina já foi vítima de algum tipo de assédio, seja ele moral ou sexual. Os dados, coletados em dezembro de 2025, expõem uma crise persistente de segurança e liberdade, evidenciando que o direito à cidade ainda é uma conquista distante para o público feminino.

Espaços públicos lideram o ranking da hostilidade
O levantamento, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, mapeou os locais onde as agressões ocorrem com maior frequência. As ruas, praças e parques aparecem no topo da lista, com 54% das menções, seguidos de perto pelo transporte público, citado por metade das entrevistadas.

A pesquisa também revelou dados alarmantes sobre outros ambientes que deveriam ser de acolhimento ou profissionalismo:
Ambiente de trabalho: 36% das mulheres relataram abusos.

Bares e casas noturnas: 32% das ocorrências.

Contexto doméstico: 26% das vítimas sofreram violência no próprio lar.

Transportes particulares (táxi/aplicativo): 19% de citações.

Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de que 5% das mulheres ouvidas afirmaram ter sofrido assédio em todos os seis locais pesquisados, demonstrando que, para uma parcela da população, não existe refúgio seguro.

Descompasso entre o desejo de punição e a eficácia das leis
Quando questionadas sobre as soluções para frear a violência de gênero, 55% das pessoas entrevistadas defenderam o endurecimento das penas contra os agressores. No entanto, especialistas presentes no lançamento do estudo alertam que o foco exclusivo no sistema penal pode não ser o caminho mais eficiente.

De acordo com a promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de SP, o feminicídio já possui uma das penas mais rigorosas do Código Penal, e isso não impediu o crescimento das estatísticas criminais ou o descumprimento de medidas protetivas. O debate atual sugere que, além da justiça, é fundamental investir em redes de apoio robustas, treinamento de agentes de segurança para um acolhimento humanizado e políticas de segurança comunitária.

Desigualdade invisível na divisão do trabalho doméstico
O estudo Viver nas Cidades também lançou luz sobre a percepção de gênero em relação aos afazeres domésticos. Existe um abismo entre o que os homens pensam e o que as mulheres vivenciam dentro de casa. Enquanto 47% dos homens acreditam que as tarefas são distribuídas de forma igualitária, apenas 28% das mulheres concordam com essa afirmação.

A realidade relatada por 44% das entrevistadas é de que, embora a responsabilidade teoricamente devesse ser compartilhada, a carga pesada do cuidado com o lar ainda recai majoritariamente sobre os ombros femininos. Essa sobrecarga, somada ao medo de transitar nas ruas em determinados horários, restringe severamente a autonomia e a qualidade de vida das mulheres nas dez capitais analisadas. Com informações da Agência Brasil

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