Crise climática atinge marca drástica com 336 mil brasileiros afetados em 2025
O avanço do aquecimento global deixou rastros profundos no território brasileiro ao longo do último ano. De acordo com o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, o país enfrentou uma sucessão de eventos extremos que impactaram diretamente a vida de 336.656 pessoas. Além do custo humano e social, o levantamento aponta que os danos econômicos alcançaram a cifra de R$ 3,9 bilhões, evidenciando a urgência de políticas de adaptação.
O documento, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vincula esses dados ao fato de 2025 ter sido o terceiro ano mais quente da história do planeta. Com temperaturas globais 1,47 °C acima dos níveis pré-industriais e níveis recordes de vapor d’água na atmosfera, o cenário tornou-se propício para o desencadeamento de secas severas, incêndios e tempestades devastadoras.
Radiografia dos desastres e o drama mineiro
O Brasil contabilizou 1.493 eventos hidrológicos no último ano, incluindo inundações, enxurradas e deslizamentos de terra. A região Sudeste foi o epicentro dessas ocorrências, concentrando 43% do total de registros. O relatório destaca que a intensidade dos fenômenos, somada à vulnerabilidade dos territórios, expõe as fragilidades na capacidade de resposta institucional de muitos municípios.
Atualmente, 2.095 cidades brasileiras são consideradas áreas de risco geo-hidrológico prioritário. Minas Gerais lidera esse ranking negativo: das 853 cidades mineiras, 306 estão suscetíveis a desastres durante o período chuvoso. Para os especialistas, essa realidade coloca cerca de 1,5 milhão de mineiros em situação de perigo constante, exigindo ações preventivas imediatas.
Contraste entre secas e ondas de calor
O relatório também chama a atenção para a severidade das secas. Em novembro passado, oito unidades da federação — incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Distrito Federal — tiveram 100% de seus territórios atingidos pela estiagem. Paralelamente, o país enfrentou sete ondas de calor e o sexto verão mais quente desde o início da série histórica em 1961.
Os autores reforçam que o padrão de “desastres hidrometeorológicos” foi fortalecido pelo aquecimento global, criando um ciclo de extremos onde as ondas de frio tornam-se menos frequentes, porém, quando ocorrem, apresentam uma intensidade avassaladora.
Ciência como escudo para o futuro
A tendência para os próximos anos é de agravamento. O Cemaden alerta que o número de desastres climáticos no Brasil saltou 222% se compararmos o início da década de 1990 com os primeiros anos da década de 2020. Diante desse crescimento exponencial, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação defende que a saída reside no investimento robusto em pesquisa e monitoramento contínuo.
A integração entre a ciência e a gestão pública é apontada como a ferramenta essencial para antecipar riscos e reduzir a vulnerabilidade da população. Fortalecer a capacidade científica nacional não é mais uma opção acadêmica, mas uma necessidade estratégica para enfrentar um cenário climático que se torna, a cada dia, mais complexo e hostil. Com informações da Agência Brasil

