Provedor desabafa: prefeito falta com a verdade e vereador fala sem conhecer situação do HNSC

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Na tarde do dia 18 de outubro os diretores do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) estiveram na Câmara Municipal e se reuniram com nove vereadores no Plenarinho. Também participaram o prefeito-eleito Elias Diniz e seu vice José Porfírio de Oliveira Filho. Na oportunidade foram apresentados os números referentes aos repasses de verbas.

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Durante o encontro foram demonstrados os recursos que haviam sido encaminhados ao HNSC e as diferenças que ainda faltavam para concluir o valor das subvenções que está previsto no orçamento feito pelo município.

Na ocasião foi proposto que o presidente da Casa, Geovane Cardoso Correia (PSL), devolva dinheiro do Poder Legislativo para o prefeito Antônio Júlio de Faria, que por sua vez deveria encaminhar o montante para o único hospital de Pará de Minas.

Na reunião da Câmara Municipal realizada na noite de segunda (24) o vereador Marcos Aurélio dos Santos (DEM) apresentou dois requerimentos que foram aprovados. Nos documentos ele solicita ao presidente da Câmara Municipal que devolva as sobras financeiras para a prefeitura.

No outro requerimento ele pediu ao prefeito Antônio Júlio de Faria repasse a verba, caso ocorra devolução de valores, para o hospital. A iniciativa tem como objetivo amenizar as dificuldades financeiras do HNSC.

Durante a reunião Ordinária da segunda (24) o vereador Silvério Severino Francisco (PP) fez duras críticas aos médicos. Disse que muitos deles possuem carrões, fazendas e atendem mal os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Acrescentou que o HNSC é um saco sem fundo quando se trata de dinheiro e que os vereadores só foram procurados para pagar salários de médicos. Se posicionou a favor da devolução das sobras da Câmara Municipal para a prefeitura, mas contra o repasse para o hospital.

A versão foi contestada pela Associação Médica. A entidade enviou uma nota e rebateu as críticas dizendo que os profissionais trabalham arduamente para alcançar algumas conquistas e há alguns meses todos estão sem receber honorários há 10 meses e plantões há três meses.

Na noite do dia 18 de outubro o corpo clínico do hospital se reuniu e durante a assembleia ficou decidido que seria lavrada uma ata. O documento assinado pelos profissionais de saúde avisa o Conselho Regional de Medicina (CRM) sobre a situação delicada da categoria e anuncia uma paralisação parcial dos serviços médicos caso nenhuma solução fosse encontrada.

Depois disso a Associação Médica de Pará de Minas enviou nota ao Portal GRNEWS informando que caso os médicos que atendem no Hospital Nossa Senhora da Conceição não recebam os honorários e plantões atrasados, eles suspenderão todas as internações eletivas pelo SUS, particulares e convênios, a partir do dia 18 de novembro.

No dia 25 de outubro o prefeito Antônio Júlio de Faria (PMDB) falou com a reportagem do Portal GRNEWS a respeito da grave crise financeira enfrentada pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição.

Ele afirmou que os repasses do município para a entidade estavam rigorosamente em dia com o hospital e que a administração pública não tem contrato firmado para pagar médicos, mas sim com o HNSC, o qual deve administrar os valores. Disse ainda que a prefeitura sempre é culpada quando o hospital passa por alguma dificuldade financeira. Por outro, lado lamentou que sempre ajudou o hospital, mas seus diretores não reconhecem o que ele já fez e continua fazendo pela entidade de saúde.

Nesta sexta-feira (28) a reportagem do Portal GRNEWS ouviu a versão do Hospital Nossa Senhora da Conceição através do provedor Osvaldo Alves Leite. Ele afirmou que o prefeito de Pará de Minas faltou com a verdade ao dizer que os repasses de verbas para o HNSC estão rigorosamente em dia. O provedor afirma que alguns convênios assinados pelo prefeito não foram pagos:

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Sobre o déficit de R$ 200 mil mensais do HNSC, o provedor explica que esse montante corresponde ao pagamento das parcelas de um empréstimo bancário de R$ 6 milhões, contraído pela diretoria anterior:

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Quanto à declaração dada pelo vereador Silvério Severino Francisco, na qual ele afirma que o HNSC é um saco sem fundo quando se trata de dinheiro, o provedor ressalta que os críticos deveriam ingressar na Irmandade Nossa Senhora da Conceição e assumir a gestão da entidade para verificar de perto os desafios:

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Em relação aos repasses de verbas federais e estaduais encaminhadas para o HNSC, Osvaldo Alves Leite explica que esses valores chegam através da Secretaria Municipal de Saúde, a qual é gestora do SUS na cidade. O diretor revela que até mesmo esse dinheiro está difícil de receber:

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Perguntado sobre os municípios da microrregião que são atendidos no hospital de Pará de Minas e que poderiam onerar ainda mais a entidade, o provedor informou que esses custos estão previstos e são cobertos pela verba recebida através dos fundos federal e estadual de saúde:

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O vereador Silvério Severino Francisco disse também que os pacientes estão sendo amontoados no Pronto Atendimento Municipal José Porfírio de Oliveira e o hospital estaria dificultando as internações.

Osvaldo Alves Leite deixa claro que nesses casos as pessoas receberiam a mesma assistência dada no Pronto Atendimento Municipal e por isso deveriam ser transferidas para outras unidades onde existe uma estrutura que ofereça um melhor atendimento, não para o HNSC:

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O diretor do HNSC ressalta que os repasses atrasados no valor de R$ 1 milhão resolvem o problema financeiro. Ele garante que as contas da instituição de saúde estão à disposição de qualquer fiscalização:

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Finalizando, o provedor afirmou que o SUS exige que os plantões médicos sejam mantidos 24 horas e eles custam caro. Sem os repasses do município fica inviável para o hospital quitar os pagamentos dos médicos plantonistas:

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Apesar de questionado pela reportagem do Portal GRNEWS, o prefeito Antônio Júlio de Faria, não respondeu com clareza se repassará ou não dinheiro para o hospital, caso algum montante seja devolvido pela Câmara Municipal.

Mas o presidente do Legislativo paraminense, Geovane Cardoso Correia, explicou que só tem a prerrogativa de devolver os recursos. Já a destinação deles fica a cargo do Chefe do Executivo. Também deu a entender que o prefeito já teria outros planos para investir o dinheiro, caso a verba seja devolvida.

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